© Copyright Página 20 todos os direitos reservados
Rio Branco - Acre, domingo, 18 de março de 2003

Caindo na rotina

O “casamento” do presidente Lula com a população brasileira começa a cair na rotina. Foi o que demonstrou a segunda pesquisa do instituto Sensus depois da posse de Lula. Divulgada na sexta-feira, a pesquisa apontou que o grau de satisfação da população com o novo governo caiu mais de 10 pontos entre janeiro (índice de 56,6% de ótimo e bom) e início março (índice de 45%).

Balde de água gelada

No governo, a pesquisa teve o efeito de um balde de água gelada. As avaliações dos números feitas no Palácio do Planalto pelos assessores do presidente indicavam que a queda era resultado da impressão de que o governo, mais de dois meses depois, ainda não foi capaz de produzir uma ação concreta de fato. Como se ainda estivesse apenas arrumando o terreno para começar a governar, coisa que, segundo avalia a imprensa nacional, devia ter acontecido na transição. Ou seja, fatos precisam acontecer para voltar a arder a paixão do casamento de Lula e a população.

Tião cobra ações de impacto

Falando à imprensa sobre a pesquisa da Sensus, o senador Tião Viana, líder do PT no Senado, admitiu problemas no governo. “As dificuldades são muitas, e elas justificam a cautela e as medidas econômicas mais duras. Mas nós temos de ter paralelamente ações de impacto. Estão fazendo falta ações que marquem a visibilidade do governo junto à população”, disse o senador.

Medidas sociais

Mas nem tudo é desânimo no governo. A queda da popularidade de Lula vai servir, por outro lado, para acelerar o anúncio de algumas medidas que seu governo está preparando principalmente para a área social. Haverá mexida importante no comando da equipe do programa Fome Zero, com o qual Lula quer radicalizar contra a pobreza e a miséria das periferias das grandes cidades e das regiões Nordeste e Norte.

Enorme paquiderme

As dificuldades que enfrenta o governo Lula para deslanchar dão também a dimensão exata do tamanho do paquiderme em que se transformou a máquina pública no Brasil. Lula tem todas as condições favoráveis para fazer as coisas, mas a máquina emperra, não anda, está como que sem óleo, enferrujada, velha, cansada. Será preciso azeitá-la com pouca conversa e muita ação.

Reunião da bancada

A bancada federal do Acre fará sua primeira reunião esta semana sob a coordenação do senador Tião Viana (PT) e do deputado Nilson Mourão (PT). A reunião deverá ser o ponto de partida da atuação conjunta que pretendem ter os deputados e senadores da base de apoio do governo Jorge Viana. Essa base conta com os três senadores e cinco dos oito deputados federais do estado.

Atuação conjunta

Na reunião, os deputados e senadores devem tratar das questões mais relevantes do estado e da forma como elas serão operacionalizadas, nos próximos quatro anos, junto ao governo Lula e no Congresso Nacional, que só começou a funcionar, de fato, na semana que passou com a desobstrução das pautas da Câmara e do Senado.

Reforma agrária

Na primeira semana de trabalhos efetivos no Congresso, os deputados e senadores acreanos começaram a demonstrar que estão dispostos a trabalhar para valer pelo estado, pela Amazônia e pelo país. O deputado Nilson Mourão, por exemplo, esteve com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rosseto, e o presidente do Incra, Marcelo Resende, para tratar do deslanche da reforma agrária no Acre a partir das conclusões a que chegaram no estado a CPI da Câmara que investigou a grilagem de terras na Amazônia.

Terras griladas

A CPI da Grilagem descobriu que existem grandes propriedades de terra no Acre de títulos duvidosos (ver relação em matéria nesta edição). Essas terras podem ser o ponto de partida das áreas que o governo federal pode disponibilizar para, junto com o governo do estado, assentar trabalhadores rurais sem terra no estado.

Vale do Acre

O deputado Zico Bronzeado cobrou providências da direção nacional Incra e do Ibama para as muitas irregularidades fundiárias e agrárias que estão ocorrendo ao longo da Rodovia do Pacífico, entre os municípios de Brasiléia e Assis Brasil, onde o desmatamento está aumentando e até colocações das reservas extrativistas Chico Mendes e Santa Quitéria são vendidas, o que é ilegal.

Evitando o pior

Zico Bronzeado está se adiantando para evitar que essa região do Vale do Acre se transforme novamente em área de grandes conflitos fundiários, como ocorreu nas décadas de 70 e 80 com a chegada de fazendeiros do Centro-Sul, que tornaram um inferno a vida dos seringueiros e trabalhadores rurais da região.

Bancada ativa

Pelo alcance social e a dimensão das primeiras ações dos parlamentares federais da base de sustentação do governo, tudo leva a crer que a bancada acreana será uma das mais ativas do Congresso Nacional. Parece que teremos mesmo o fim do ciclo de bancadas acreanas absolutamente caladas, que só abriam a boca em Brasília quando se tratava de defender interesses pessoais e puramente eleitoreiro.

Senadores no Conselho de Ética

A semana começa com o Acre entrando novamente no foco da mídia nacional com a atuação dos senadores Sibá Machado (PT) e Geraldinho Mesquita (PSB) no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado Federal, que esta semana mesmo começa a investigar a participação do senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) nas escutas telefônicas ilegais da Bahia.

Jogando duro

Pelas primeiras declarações dos dois senadores acreanos sobre o caso ACM, eles devem ser dois dos mais durões parlamentares durante o julgamento do “rei” da Bahia, que já é reincidente no Conselho de Ética. O mais famoso coronel político do Nordeste preferiu renunciar ao seu mandato anterior para não ser cassado pelo Conselho de Ética por ter mandado violar o painel de votação do Senado Federal durante a cassação do ex-senador Luiz Estevão (PMDB-DF).

Triste imagem

Os senadores Geraldinho e Sibá precisam mesmo ser firmes na questão da moralidade e da ética parlamentar para, assim, apagarem a triste imagem deixada pelo Acre no Conselho de Ética do Senado. Afinal, foi ali que os acreanos e o povo brasileiro assistiram, pasmados, o ex-senador Nabor Júnior (PMDB-AC) fazer uma apaixonada e velada defesa de um dos políticos mais corruptos que já passaram pelo Congresso Nacional, que foi o senador Luiz Estevão (PMDB-DF), envolvido no roubo de mais de R$ 150 milhões da construção do prédio da Justiça trabalhista de São Paulo.

Atenção aos índios

A deputada Perpétua Almeida também atuou na questão fundiária do estado. Ela conseguiu criar, no âmbito da Comissão da Amazônia e de Desenvolvimento Regional da Câmara dos Deputados, uma subcomissão que vai tratar exclusivamente da questão de terras e de outras demandas dos índios brasileiros. A iniciativa da deputada, de criar a subcomissão parlamentar específica para o setor indígena, foi um fato inédito no Congresso.

Invasão de área indígena

No dia seguinte após sugerir a criação da subcomissão indígena na Câmara, a deputada Perpétua Almeida foi ao presidente da Funai, Eduardo Almeida, cobrar providências contra a invasão das terras dos índios Ashaninka, em Marechal Thaumaturgo, por madeireiros peruanos.

romerito@abordo.com.br
Amazônia
Colunas
Cotidiano
Expediente
Entrevista
Editorial
Estilo
Especial
Esporte
Política
Principal