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Rio Branco - Acre, terça-feira, 17 de março de 2003

Sérgio Petecão

Presidente da Assembléia Legislativa defende o redesenho do mapa do Acre

Leonildo Rosas

Aos 42 anos, o deputado estadual Sérgio Petecão (PMN) está no seu terceiro mandato parlamentar. Coincidência ou não, ele também conquistou o feito inédito de dirigir a Assembléia Legislativa por três mandatos consecutivos.

Junto com o petista Ronald Polanco - primeiro-secretário -, Petecão foi eleito presidente pela primeira vez - em 1999 - com os votos dos 24 deputados. Com tanto apoio, a mesa diretora adotou medidas duras, como o corte de gorduras desnecessárias e a redução de salários de funcionários marajás, que ganhavam até R$ 15 mil mensais.

As medidas adotadas desagradaram alguns setores que se sentiram prejudicados. Os membros da mesa diretora chegaram a ser ameaçados de morte. As ameaças, todavia, não surtiram efeito.

A onda moralizadora implantada nos últimos quatro anos gerou economia significativa nas despesas do Poder. “Não temos compromissos com grupos. Nosso compromisso é com o Legislativo e com a população que nos elegeu”, disse o deputado, em entrevista concedida ao Página 20.

Deputado, o senhor está no terceiro mandato como presidente do Poder Legislativo. Qual é sua expectativa na atual legislatura?

Acredito que vamos viver um momento mais técnico na Casa. No meu primeiro mandato como presidente, nós tomamos algumas medidas duras, sob pena de o Poder Legislativo ir a bancarrota, porque a situação era extremamente complicada. Com isso, buscamos melhorar a imagem perante a população e sanar a economia do Legislativo. Por conta da dureza das medidas, fomos até ameaçados de morte. Felizmente, agora podemos colher os bons frutos.

De quanto foi a economia mensal feita pela Assembléia?

Foi em torno de 800 mil reais. Era dinheiro que saía pelo ralo sem benefício algum para a população. Hoje, nós tocamos a casa em condições bem melhores, possibilitando aos parlamentares exercer seus mandatos com o menor gasto possível de recursos.

O senhor identificou quem lhe fez as ameaças de morte?

Elas partiram de pessoas que tinham a Assembléia como propriedade privada e achavam que podiam mandar e desmandar. Partiram de uma meia dúzia de marajás que se sentiram prejudicados com as medidas moralizadoras adotadas pela mesa diretora. Mas isso, felizmente, faz parte do passado.

Depois de todas as medidas adotadas, o senhor acha que a imagem do Legislativo está melhor na sociedade?

Com certeza. Essa é a grande recompensa. Tanto que toda a mesa diretora foi reeleita. Agora, não podemos negar que ainda tem muita coisa para ser feita. Os novos deputados deram demonstração de que são comprometidos com o engrandecimento do Legislativo e com a melhoria de vida da população acreana.

Como o senhor pensa em levar o Legislativo para mais próximo da sociedade?

Esse será o nosso grande desafio. Temos que levar o Poder Legislativo para mais perto da sociedade. Na legislatura passada, demos os primeiros passos, por meio da realização de duas sessões itinerantes, em Sena Madureira e Acrelândia. Infelizmente, alguns colegas não entenderam o objetivo das sessões e tentaram fazer palanque político. Como este ano não terá eleição, iremos fazer cumprir a finalidade das sessões itinerantes, que é discutir os grandes temas junto com o povo.

Presidente, esta semana deve ser iniciada na Aleac as discussões sobre os limites internos do Acre. Qual é a sua posição sobre o tema?

A proposta de discussão parte da própria mesa diretora. Com todo respeito aos outros assuntos que venham a ser abordados, eu acho que esse é um dos mais importantes temas a ser discutido pelo Parlamento na atual legislatura. Estou entrando no meu terceiro mandato e vejo com muita preocupação a questão dos nossos limites internos.

Por que o tema preocupa tanto, deputado?

Sou um deputado que anda muito visitando as bases, a nossa realidade. Vou citar como exemplo de excrescência a situação dos moradores do ramal Granada, no Projeto de Assentamento Pedro Peixoto. De um lado do ramal é Acrelândia, do outro é Senador Guiomard e mais na frente é Plácido de Castro. Isso é não dá para admitir. Existe, inclusive, suspeitas que pessoas foram beneficiadas com a situação. O problema não se restringe apenas a esses municípios. Feijó e Tarauacá também estão na mesma situação. Precisamos, na verdade, redesenhar o mapa do Acre.

Como será feito esse redesenho do mapa?

Estamos montando uma equipe de trabalho e esperamos contar com o apoio dos professores dos departamentos de História e Geografia da Universidade Federal do Acre.

Mas o senhor saber que terá problemas sérios com alguns prefeitos e vereadores que se sentirão prejudicados?

Sim, eu sei. Mas não podemos estar prejudicados com eles. O foco da nossa preocupação deve com a população. Alguém vai ter que assumir a responsabilidade de corrigir as distorções. Não dá é para ficar em cima do muro, assistindo as coisas acontecerem sem tomar medida alguma. Em algumas situações, a Assembléia terá que pagar o preço político devido. Antes de qualquer coisa, no entanto, iremos ouvir os moradores das localidades atingidas.

Além dos limites internos, há uma discussão sobre os limites com os outros Estados. O senhor tem posição firmada sobre isso?

Em primeiro lugar, temos a obrigação de arrumar nossa casa. Não podemos discutir os limites com outros Estados antes de discutir nossos limites internos. Sei, no entanto, que o senador Sibá Machado (PT) está puxando essa discussão no Congresso Nacional e o governador Jorge Viana (PT) também mostrou interesse no assunto. Temos a situação das vilas rondonienses de Extrema e Nova Califórnia, que o deputado José Luiz Tchê (PSDC) está levantando a bandeira para reintegrá-las ao Acre.

O senhor tem base eleitoral na estrada de Boca do Acre. Como está a população do município amazonense sobre essa discussão?

Não é segredo para ninguém que a população, apesar de ser amazonense, é praticamente assistida pelas ações do governo do Acre. Fui até a cidade conversar com os moradores para tirar minhas conclusões. Na verdade, até agora não tenho uma opinião formada sobre isso. Mas adianto que ainda esta semana voltarei ao município.

O senhor não tem vaidade de ser o único deputado a conquistar três mandatos consecutivos na história do Parlamento acreano?

Quem me conhece sabe que sou desprovido de vaidades. Agora, sou feliz por merecer a confiança dos demais parlamentares para presidir o Poder por três vezes consecutivas. Mas isso não me envaidece. Quero apenas continuar fazendo o meu trabalho para dignificar o Parlamento como um verdadeiro instrumento para o exercício da democracia.

Entrevista Página 20
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