

Teixeirinha do Acre assina a criação do primeiro longa-metragem produzido no Acre: “Fracassou meu Casamento”
A arte como expressão popular
Cinema acreano completa 30 anos
este mês como
um instrumento de informação educacional do público
Por que será que a chamada sétima arte exerce tanta fascinação nas pessoas?
Por vários motivos. Um deles é que por ser uma arte temporal cria a ilusão de reproduzir a vida tal qual ela é. Coloca na tela pedaços da realidade, como se nosso olhar estivesse enfocando o real e não a sua representação.
Vamos imaginar que a produção cinematográfica no Acre teve seu momento de efervescência cultural na década de 70. Mas poucos sabem sobre o que significou esse momento em termos de produção cultural do que podemos denominar de cinema acreano. Um dos motivos que apontam para essa anulação é a falta de incentivo das gestões culturais passadas, que permitiu com que as produções na área iniciadas nas décadas de 70 e 80 ficassem esquecidas e adormecidas. Mas, mesmo com as dificuldades, o cinema acreano completa este mês 30 anos.
Surgiu sem nenhuma escola especializada na área, da vontade de um engajado grupo de jovens que viam nas novelas difundidas pela Rádio Difusora Acreana uma rica inspiração para seus roteiros cinematográficos.
O trio de aprendizes de cineastas era composto por Teixeirinha do Acre, Toni Van e Aldalberto Queiroz, fundadores do chamado Grupo Ecaja. Munidos de uma super 8mm, o trio produziu filmes no Acre e em outros lugares do país, trazendo como mote o divertimento educacional.
“Fracassou meu Casamento”, de Teixeirinha do Acre, foi o primeiro longa-metragem produzido pelo grupo, além de “Rosinha, a Rainha do Sertão”, “Gatinhas e Gatões”, entre outros.
A ousadia do grupo foi além: a primeira sessão realizada no Sesc em nível nacional aconteceu no Acre com “Rosinha, a Rainha do Sertão”.
O projeto Filmoteca Acreana abriu o leque para que o Ecaja participasse de festivais nacionais de cinema em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. E foi a partir daí, que a Embrafilme resolveu atender as reivindicações dos produtores nacionais para saírem do eixo Rio-São Paulo, propondo ao Ministério da Educação a criação do Projeto Interação dos Diversos Contextos Culturais, no qual o Filmoteca Acreana foi um dos contemplados e era o único da Região Norte.
A Filmoteca Acreana, segundo Adalberto Queiroz, vive um momento de expansão de seu projetos para o interior buscando parceria com o governo do Estado, por meio da Fundação Elias Mansour. “Acredito que é só uma questão de tempo para que os jovens de outros municípios passem a contar com esse importante veículo de informação educacional”, salienta.
Na comemoração dos 30 anos de criação do cinema acreano, a Filmoteca oferece aos cinéfilos de carterinha uma mostra, que será exibida amanhã ao meio dia, no Sesc para os comerciários, e na Filmoteca da Fundação Elias Mansour, às 10 e 16 horas. Na quinta, a mostra segue para a Universidade Federal do Acre e Museu da Borracha, às 10 e 16 horas.
