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Rio Branco - Acre, terça-feira, 17 de março de 2003

Termina especulação sobre vinda de Fernandinho Beira-Mar ao Acre

Jorge Viana diz no programa “Bom Dia Brasil” que o
Estado não aceita a transferência do criminoso

Tião Maia

“O Acre quer colaborar com o país, mas não pode ser confundido como um depósito de bandidos.” Esta foi a reação do governador Jorge Viana para pôr fim às especulações de que o megatraficante Luis Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, atualmente preso no interior de São Paulo, seria transferido para o Acre em companhia de outros bandidos perigosos. “Nós não temos estrutura para receber esses presos perigosos”, declarou o governador.

Jorge Viana já havia se manifestado sobre o assunto no programa “Bom Dia, Brasil”, da Rede Globo, ontem pela manhã. O governador acreano foi citado numa ampla reportagem em que o programa revela que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, não aceita prorrogar a permanência de “Beira-Mar” em território paulista além de 30 dias. Face a isso, o governo federal começou a cogitar a possibilidade de um rodízio entre os Estados na prisão ao traficante. Cada Estado, incluindo o Acre, ficaria com o preso por um determinado período. O Acre também chegou a ser citado como um Estado que poderia receber o preso de forma permanente.

A reação do governador Jorge Viana à proposta veio no mesmo programa da Rede Globo: “O Fernandinho Beira-Mar e outros bandidos perigosos não vão para o Acre porque nós não temos cadeia com um sistema de segurança adequado”. Outro problema apontado pelo governador é que o Acre está numa área de fronteira. “Eu acho que é um equívoco querer esconder esse bandido”, disse Jorge Viana.

Ontem à tarde, ao desembarcar em Rio Branco, o governador também voltou a falar sobre o assunto e foi mais incisivo ainda: “Eu acho que também é um equívoco tratar esse bandido pelo apelido no diminutivo. Ele não é Fernandinho coisa nenhuma. É um bandido perigoso que assusta e envergonha o Brasil”, disse.

Sobre a proposta de transferência do traficante para o Acre, Jorge Viana afirmou: “A transferência deste ou de outros bandidos para o Estado fere o orgulho do nosso povo e nós não podemos aceitar isso. Além disso, não ajuda o Brasil em nada. Eu acho que não se deve varrer a sujeira para debaixo do tapete. Se ele cometeu seus crimes lá pelo Centro-Sul, que fique por lá”.

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