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Rio Branco - Acre, quarta-feira, 19 de março de 2003

Polícia vai cumprir mandado de
prisão contra pistoleiro em outro Estado

Secretário Fernando Melo quer mandantes e executores do assassinato de Mauro Braga na cadeia

ALTINO MACHADO

O secretário de Justiça e Segurança Pública, Fernando Melo, disse ontem que a polícia receberá o apoio que for necessário para cumprir em outro Estado o mandado de prisão contra o pistoleiro que teria assassinado, a mando do fazendeiro Augusto “Bodão”, o ex-bancário Mauro Braga. “Não vamos medir esforços para apurar e chegar aos executores e mandantes desse crime.”

A decisão foi anunciada durante entrevista coletiva organizada pela Secretaria de Comunicação com a intenção de prestar esclarecimentos sobre a abordagem do caso pela imprensa. Além de Fernando Melo, participaram da coletiva o secretário de Comunicação, Aníbal Diniz, e o delegado Walter Prado, diretor-geral de polícia, que conduz as investigações.

A polícia permanece empenhada em esclarecer o crime e, segundo Aníbal Diniz, faltam pequenos detalhes para o desfecho das investigações. A maior preocupação do governo é a de desvincular o assassinato de Mauro Braga como resultante da ação de uma organização criminosa.

Diniz afirmou que as investigações da polícia provam que se tratou de um ajuste de contas de duas pessoas, coincidentemente dois fazendeiros, que mantinham uma parceria e depois se desentenderam. “Não podemos continuar alimentando um caso que para nós já está praticamente concluído”.

O secretário Fernando Melo disse que o Acre hoje é detentor de uma posição privilegiada por ser o Estado que mais elucida crimes no país. Melo também entende que o assassinato de Mauro Braga resultou de um acerto de contas. “Não vemos por trás do crime nada que possa levar o Estado a uma preocupação maior com o crime organizado”.

Melo disse que o acusado de ser o mandante está preso porque a justiça reconheceu como consistente a apuração da polícia e expediu o mandado de prisão. “Também já temos identificado o autor do crime, que foi contratado pelo mandante”, assinalou. O pistoleiro fugiu do Acre depois do crime e a polícia não revela o nome nem o paradeiro dele.

AMEAÇAS - O delegado Walter Prado espera concluir o inquérito com a prisão do pistoleiro que, segundo ele, foi contratado pelo fazendeiro “Bodão”. “Agora estamos correndo contra o tempo para concluir o inquérito no prazo. Vamos empreender ações fora do Estado no sentido de que o executor do assassinato seja preso.”

Prado negou que tenha sofrido ameaças de morte por causa da investigação. “Delegado de polícia nunca é ameaçado de morte. Creio em Jesus Cristo. Não existe nenhum obstáculo. Não me sinto ameaçado nesse nem em outro caso.”

O Secretário de Justiça e Segurança Pública disse que poderá dar proteção à família de Mauro Braga, que se declarou insegura desde a prisão do fazendeiro Bodão. “O delegado vai ouvir a viúva Herloiza Oliveira e, se o Estado julgar necessário, nós iremos dar proteção”.

A reportagem do Página 20 apurou ontem que o fazendeiro Ricardo Castro Cunha, proprietário da fazenda Ipanema, vai ser intimado hoje pela polícia para prestar depoimento. Cunha teria organizado, segundo a viúva de Mauro Braga, uma reunião de pecuaristas no domingo.

Ricardo Castro Cunha é primo do fazendeiro “Bodão” e voltou para Rio Branco depois que o suspeito de ser o mandanate do assassinato de Braga foi preso. Cunha, em 1976, se envolveu em confrontos com posseiros do seringal Nova Empresa. A polícia vai pedir explicações dele sobre a reunião que organizou em solidariedade ao fazendeiro “Bodão”.

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