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Rio Branco - Acre, quarta-feira, 19 de março de 2003

Viúva e suposto amante podem ter planejado morte de conselheiro do TCE

Israel Villarouca jura inocência e acusa Mercedes Freitas de ter tramado e realizado o assassinato

J. Guimarães

A viúva de Marciliano Reis Fleming, o “Chiquilita”, conselheiro aposentado do Tribunal de Contas do Estado assassinado com seis tiros de pistola no dia 1º janeiro de 2001, Mercedes Freitas de Oliveira Fleming, 45, e o suposto amante, Israel Villarouca, 23, foram presos segunda-feira à noite, acusados de serem os mandantes do crime.

Em depoimento na 4a Unidade de Segurança Pública, Israel jurou inocência e acusou Mercedes de planejar o crime, junto com um amigo do casal, para ficar com os bens do marido.

Segundo Israel Villarouca, a morte de Chiquilita foi acertada uma semana antes pela própria esposa, Mercedes Freitas, e o amigo da vítima, Aurimar Fidelis de Aragão, que teria contratado os pistoleiros Clydivar Alves de Oliveira, André Coronel e um traficante identificado apenas por “Primo” para matar o conselheiro aposentado.

Israel declarou à polícia que Mercedes pretendia herdar a fortuna do marido e entregar para Aurimar administrar. Ela também sonhava com a pensão vitalícia do companheiro, que na época girava em torno de R$ 12,5 mil mensais. Sem falar nas várias casas de aluguel que também ficariam para a viúva e seu cúmplice.

“O que ela não imaginava era que a família da vítima fosse entrar com uma ação na Justiça impedindo-a de herdar os bens e a pensão do marido, com quem viveu 21 anos”, disse Israel.

Suspeito diz que a família sabia

O rapaz confessou ainda que na noite do crime todos que estavam na chácara da vítima sabiam que ela seria executada antes do amanhecer do dia, inclusive o próprio Israel, que foi avisado com antecedência por Mercedes.

“À tarde ela me confidenciou que tinha chegado o dia do crime e determinou que eu ficasse quieto quando os homens chegassem na chácara para pegar a vítima. Ela ainda me orientou a deixar Chiquilita dormindo sozinha na varanda e fosse deitar numa rede no quarto. Para facilitar o trabalho dos pistoleiros ela embriagou o marido, deixou ele jogado em cima de uma sinuca e foi dormir no mesmo quarto em que eu estava”, revela.

Ele contou que por volta das 12h30 chegou Aurimar Fidelis de Aragão, Cledyvar Alves de Oliveira, o traficante “Primo”, e o pistoleiro conhecido por “André Coronel”.

Eles teriam amarrado a vítima, colocado um saco em sua cabeça e lhe levado na carroceria de sua própria caminhonete, dirigida por Aurimar Fideis, para matá-la, no quilometro 3 do ramal do Bosco, na estrada de Porto Acre, a poucos quilômetros da chácara onde foi capturado.

O corpo do conselheiro aposentado foi encontrado por populares no dia seguinte cravado de balas, jogado ao lodo do carro. No local do crime a polícia encontrou índices de que a execução tinha sido praticada por mais de uma pessoa.

Elucidação do caso

Depois de passar mais de seis meses nas mãos da justiça o inquérito policial aberto pelo delegado Marcos Vinícius, na época, para apurar a morte de Chiquilita foi mandado de volta à 8a Unidade de Segurança Pública para ser reaberto pelo delegado Ariosto Filho.

No início do mês passado foi decretada a prisão preventiva de Cledyvar Alves de Oliveira, acusado de ser um dos executores do crime. sexta-feira passada o promotor Dâmilo Louvisauro, e o delegado Ariosto Filho interrogaram Aurimar Fidelis e esse se prontificou em colabora com a polícia sob garantia de proteção da justiça.

Foi a partir do depoimento de Aurimar que o delegado solicitou a prisão preventiva de Mercedes Freitas e Israel Villarouca.

Foi solicitada ainda a prisão de “André Coronel” e do traficante identificado apenas por “Primo”, que ainda estão foragidos. Aurimar também teve prisão decretada, mas está sob proteção da justiça.

Suspeito teria outros crimes

Segundo a polícia “André Coronel” é o mesmo homem que durante uma briga no projeto de assentamento Humaitá, há cerca de três anos, matou os policiais civis identificados por Carlão e Crescenso”.

Na época ele foi preso. Mas conseguiu liberdade condicional e, de acordo com a polícia, voltou à vida de pistolagem, sendo suspeito de ter cometido outras execuções em Rio Branco.

Ontem os agentes da 8a Unidade de segurança pública estavam todos mobilizados na tentativa de prende-lo, mas até as 17 horas ainda não tinham obtido sucesso.

Gangue de mulheres comandava
o tráfico de drogas em Sena

Três mulheres envolvidas com o tráfico de droga em Sena Madureira foram presas em uma operação das Polícias Civil e Militar, segunda-feira. Kátia de Souza, 22, Adriana Paulino, 28, e Ana Vieira Maia, 25, foram denunciadas pela própria comunidade.

Através de um telefonema anônimo a polícia ficou sabendo que Kátia estava se deslocando de Rio Branco para Sena Madureira, conduzindo drogas dentro de um frasco de xampu. Foram montadas barreiras na estrada e na altura do quilometro 72, a suspeita foi interceptada com 17 gramas de pasta a base de cocaína, e 22 de maconha.

Ela confessou que o entorpecente pertencia à presidiária em liberdade condicional por tráfico de droga, Adriana Paulino e a polícia foi até a casa da acusada, no bairro da Pista. Lá encontrou outra quantidade de droga e levaram as duas para a delegacia.

No momento em que as mulheres eram autuadas em flagrante um outro telefonema anônimo avisou à polícia que na rua Piau, centro, também funcionava um ponto de venda de droga comandado por Ana Vieira Maia.

Uma equipe foi designada ao endereço e apreendeu 85 papelotes de pasta a base de cocaína que estavam em poder de Ana Vieira, escondidos numa caixa de papelão.

As mulheres foram autuadas em flagrantes e mandadas para a penitenciária Evaristo de Morais, em Sena Madureira, onde aguardaram julgamento.

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