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Rio Branco - Acre, quarta-feira, 19 de março de 2003
A voz do torcedor

Francisco Dandão

Conversar com torcedor é um verdadeiro barato. Excluída uma ou outra opinião mais radical, no mais das vezes até que saem idéias razoáveis. Nos últimos dias eu tive a oportunidade de dialogar com dois representantes dessa classe de apaixonados: o Ely Roberto, atleticano, e a Jóia, Tricolor.

O Ely Roberto, que também jogou bola (as opiniões sobre o tanto que ele jogava variam, indo de "bonzinho" a ótimo, dependendo do grau de amizade do interlocutor), hoje cabeleireiro de prestígio, apreensivo com a sorte do Atlético no campeonato, não se fez de rogado e abriu o verbo.

"O negócio é o seguinte, professor: tá tudo errado no nosso querido Galo do segundo distrito. O patrimônio foi dilapidado, a parte social não funciona, o campo foi invadido, a sede está ruindo sobre si mesma e dificilmente ainda se acha alguém que se diz torcedor", explicou-me o Ely.

"Para completar", continuou implacável o ex-craque, "ainda surge na imprensa a notícia de que os atuais dirigentes estão pensando em contratar nada menos do que o atacante tetracampeão Bebeto para a temporada 2003. Mas como, se na secretaria do clube nem papel timbrado existe?"

Com a Jóia, torcedora dessas que fica sem voz de tanto gritar nos dias de jogo do Independência, o papo girou em torno de dois eixos. O primeiro, a necessidade, segundo ela, de se eleger uma diretoria sem a participação do eterno presidente Eugênio Macapá. O segundo, a formação do time deste ano.

De acordo com a Jóia, com o Macapá não dá mais. Em que pese os bons serviços que ele prestou à causa do Tricolor ao longo dos últimos anos (ela não sabe precisar quantos), está mais do que na hora de uma mudança. "A renovação faz bem. É preciso que surjam novos líderes", disse ela.

Quanto à formação do time para a disputa do estadual, Jóia é pra lá de radical: "Por mim, o Independência botava em campo só os meninos dos juniores ou jogador de fora e de comprovada qualidade. Esses boleiros daqui, nenhum vale muita coisa. A não ser que o salário seja R$ 1,99", sapecou.

É por aí. Como eu disse no começo, conversar com torcedor é um verdadeiro barato. Mas que os dirigentes não se queixem. Se quiserem responder através deste espaço, é só procurar o velhinho aqui. Ou então, sabe-se lá, melhor ainda, podem responder ganhando o campeonato. Que tal?

fdandao@zipmail.com.br
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