
Camelôs expulsos da praça
exigem
barracas à prefeitura de Rio Branco
Comerciantes denunciam descumprimento do acordo que previa construção de um novo camelódromo e ameaçam voltar
Cerca de 300 camelôs estiveram na manhã de ontem, em frente à prefeitura em protesto à ação civil pública movida pela Prefeitura, que pedia a retirada dos pequenos comerciantes da praça Plácido de Castro. Na ação os comerciantes teriam o prazo de 72 horas para se retirarem do local, que foi vencido ontem, mas prorrogado até segunda-feira.
A reunião marcada para às 9 horas de ontem, com o prefeito Isnard Leite, o presidente do Sindicato dos Camelôs e Feirantes (Sincaf), José Carlos - “Juruna” e alguns vereadores, foi cancelada.
“Fui à Câmara buscar os deputados, mas fizeram corpo mole e não vieram. Fui à prefeitura e uma secretária falou que o prefeito não estava. Desse jeito as coisas vão ficando cada vez mais complicadas. Queremos resolver logo a situação, mas eles estão se escondendo da gente”, reclama Juruna.
O sindicalista acrescenta que um dos principais motivos para o protesto é a construção dos pontos para os camelôs que foram retirados da praça Eurico Dutra e que até hoje estão sem um lugar para trabalhar.
“Já passou o prazo de entrega dessas bancas e as obras ainda nem começaram. Onde está o dinheiro que o governo repassou para a construção dessa obra? Se já foi repassado, estão esperando o que para começarem a obra? Também queremos a criação de um projeto para acomodar todos esses trabalhadores que estão sem trabalhar, não por falta de vontade, mas porque as autoridades não permitem”, desabafa.
Os manifestantes quando ficaram sabendo que não seriam recebidos pelo prefeito Isnard Leite, após protestarem com cartazes e apitos, se dirigiram à câmara municipal. Lá, uma nova reunião foi marcada para a próxima segunda-feira às 9 horas.
“Vamos estar em peso em frente à prefeitura na segunda. E vamos exigir um prazo para a entrega dos pontos que foram prometidos. Pois o que ficou acertado com a prefeitura da última que fizemos, foi que seriam entregues num prazo de 45 dias. Esse prazo venceu no sábado e não tem nada feito lá”, afirma.
Assessor explica saída dos ambulantes
Segundo o coordenador interino de comunicação da prefeitura, Antônio Cleber, o motivo dessa retirada, é que a praça vai ser reformada e é necessário que a praça esteja vazia. Ele garantiu que os pequenos comerciantes terão seus pontos de volta ao local.
“A prefeitura não tem interesse algum em deixar pessoas sem trabalhar. Os camelôs da praça que estão cadastrado aqui, terão sua vaga no local. Será feita uma praça de alimentação aqui e vamos coloca-los para trabalhar legalmente. Quanto os outros que estão aí sem qualquer autorização, vamos ter que retirar”, afirma.
Juruna reclama que nesse meio tempo, famílias estão passando fome já que não possuem outro forma de ganhar a vida.
“Muitos pais de famílias estão passando necessidade. Enquanto eles falam em projetos crianças estão precisando de comida e não tem quem ajude”, diz Juruna acrescentando que para ajudar as famílias mais necessitadas, a categoria está fazendo rifas para arrecadar dinheiro e comprar sacolões.
Comerciantes cobram promessa não cumprida
“Há 15 anos eu trabalho fazendo e vendendo artesanato aqui. Sustentei toda a minha família só com o que ganho e não é justo alguém de um dia para o outro me mandar deixar o ponto em que trabalho. Se eu tivesse outra coisa para fazer, não estaria nem um pouco interessado em todo esse problema” - Ilson Soares Júnior.
“Se estivéssemos roubando, tudo bem, mas não, estamos trabalhando duro para dar o que comer aos nossos filhos. Eu tenho dois funcionários e eles tiram o sustento para suas famílias vendendo sanduíches comigo. Se eles me tiram daqui, além de mim, outros vão estar passando necessidade” – Paulo do Hamburgão.
“Eu trabalho vendendo jornal e bombom aqui na banquinha há quase 20 anos. Entrou prefeito, saiu prefeito e ninguém mexeu comigo nesse tempo todo. Agora, de um dia para o outro, me vejo nessa situação. É horrível. Não tenho como sustentar minha família em outra coisa” - Américo Raimundo da Silva.
“Precisamos de um local para trabalhar. Não tive condições de estudar e a única saída que tive foi ser autônomo, mas para ficar sendo expulso do meu local de trabalho como se fosse um bandido, não dá. Eu quero trabalhar” - Edvaldo Pereira Pontes.