© Copyright Página 20 todos os direitos reservados
Rio Branco - Acre, sexta-feira, 21 de março de 2003
Omissão e tiro no ouvido

O delegado Ari Régis, responsável pela delegacia do Comando Antifurto (CAF), revelou-se ontem despreparado para a função ao tomar conhecimento de reportagem publicada por este jornal, a qual denuncia que uma criança de sete meses, acometida de tuberculose, dormiu no chão da delegacia na companhia da mãe e de um casal de aidéticos acusados de furto.

A matéria assinada pelo repórter J. Guimarães e o editor assistente, Altino Machado, foi checada junto aos policiais e alguns detentos que, chocados, disseram ter cedido um papelão para forrar o chão onde a criança dormiu sofrendo tosse , vômito e desmaio.

O repórter J.Guimarães registrou a cena às 5h45 de quarta-feira, com uma câmera digital, e retornou à delegacia para levar comida para a mãe do menor às 10 horas. O editor assistente, por sua vez, comunicou o fato ao delegado geral de polícia, Walter Prado, que encaminhou a criança e o casal de aidéticos para os hospitais públicos.

Ontem, porém, o delegado acusou o repórter de ter feito uma montagem com a foto e tentou negar que os três adultos e a criança tenham dormido no CAF. Grosseiro e insensível, o policial foi além ao afirmar que a publicação da reportagem "foi o mesmo que dar um tiro no ouvido do governo". Chegou a argumentar que o Página 20, por ser um jornal que apóia o Governo da Floresta, teria que omitir o fato.

Como se não bastasse, pressionou o repórter J. Guimarães para que revelasse os nomes dos policiais do CAF que confirmaram a notícia e determinou aos subordinados que, daqui para frente, somente ele está autorizado a dar informações à imprensa. Além disso, proibiu terminantemente a presença de fotógrafos na delegacia.

Entretanto, o delegado geral Walter Prado telefonou ao editor-assistente, ontem à tarde, para confirmar a denúncia da reportagem do Página 20 e para pedir desculpas pelo acontecido.

A conclusão dessa história não favorece ao policial Ari Régis, que preferiu desconhecer o papel da imprensa e ignorar o compromisso do Governo da Floresta com os cidadãos.

A cena chocante que o jornal registrou em sua delegacia é que representa, de fato, "um tiro no ouvido do governo", disparado pela negligência e omissão do delegado.

Amazônia
Colunas
Cotidiano
Expediente
Entrevista
Editorial
Estilo
Especial
Esporte
Política
Principal