
Cerca de 300 camelôs que ganham a vida trabalhando em pequenos negócios nas praças Plácido de Castro e Eurico Dutra, no centro da capital, vivem momentos de aflição por terem que progressivamente abandonar o local. As famílias da Eurico Dutra encontram-se desalojadas há quase dois meses e as que trabalham na Plácido de Castro receberam um prazo de 72 horas para saírem. O prefeito Isnard Leite é pressionado pela sociedade para manter as praças limpas e seguras, cumprindo a função de áreas de lazer, mas para isso terá que desalojar as famílias que ficam sem os meios de sobrevivência.
O problema é comum nas cidades em crescimento e que convivem com altas taxas de desemprego. No caso de Rio Branco, a solução anunciada pelo prefeito seria a construção de uma praça de alimentação, mas a demora na sua execução e a falta de diálogo com os camelôs só complicam a situação. Um encontro que estava marcado para quinta-feira foi adiado para segunda, aumentando a desesperança e reduzindo a chance de diálogo.
Com certeza será possível manter as praças limpas com as famílias trabalhando no local. Na verdade, os pequenos negócios de lanchonete, artesanato, bombons e cigarros também dão vida às praças e tornam-se atrativos quando obedecem a regras claras de funcionamento com higiene, ordem, estética. Mas as famílias e o prefeito teriam que fazer um pacto para que tudo funcione como planejado e combinado.
A verdade é que as pessoas não se sentem bem com a sujeira e a insegurança ocupando as áreas de lazer de sua cidade e muito menos com a promiscuidade que geralmente cerca esses ambientes, gerando problemas de outra ordem. Mas também ninguém quer ver famílias jogadas ao desalento, sem ter o que comer e onde dormir. E como nem uma coisa nem outra são desejáveis, o melhor é sentar, conversar e achar uma solução civilizada para todos.