© Copyright Página 20 todos os direitos reservados
Rio Branco - Acre, sábado, 22 de março de 2003

Tião Viana

Senador diz que resultados do governo começam a aparecer no sexto mês

Romerito Aquino

O senador Tião Viana (PT-AC) se transformou nos últimos meses numa das figuras de maior destaque da política brasileira. Na condição de líder do PT no Senado, ele vive correndo do Senado para o Palácio do Planalto, do Planalto para os ministérios e destes para as reuniões de cúpula do partido que governa hoje o país sob o comando do presidente Lula.

Seguido por um séqüito de repórteres da imprensa, que chegam a fazer plantões em frente a sua residência, o senador Tião Viana já é figura conhecida do noticiário nacional, seja coordenando a bancada governista nas votações em plenário ou encaminhando, como fez na semana passada, o julgamento do senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, onde indicou o nome de seu colega Geraldinho Mesquita (PSB-AC) como relator do caso dos grampos na Bahia.

É com todo esse currículo que o senador Tião Viana garante, nessa entrevista exclusiva ao Página 20, que o presidente Lula fará um dos maiores governos da história da América Latina. Leia, a seguir, a íntegra da entrevista.

Após sua participação no processo de abertura da sindicância para apurar o envolvimento do senador ACM nos grampos da Bahia, quais serão seus próximos passos como líder do PT?

Hoje nós temos 24 senadores que dão apoio ao governo dentro de um conceito formal de apoio, mais cinco senadores do PDT e do PPS, que dão apoio informal. Queremos agora o PMDB nacional dando apoio ao projeto de governo do presidente Lula. Com isso, nós vamos ter uma base de apoio de 52 senadores, o que nos dará uma folgada margem de governabilidade política dentro do parlamento brasileiro.

O que será feito com essa base de governabilidade?

Ou o Brasil faz as cinco grandes reformas que vão desafiar o século 21 em termos de gestão pública ou não teremos o Estado brasileiro atualizado. As reformas são as da previdência, da política, do judiciário, a trabalhista e a tributária. O meu papel, como líder do partido, é criar condições para que haja apoio dos parlamentares a esse projeto de reformas do Estado. E isso eu já estou fazendo, junto com o líder do governo, senador Aloísio Mercadante.

Aumentam as pressões em cima do governo para que sejam apresentados resultados. A demora do governo em apresentar esses resultados já provocou, inclusive, queda na popularidade do presidente. Como o Sr. encara esse fato?

Essas pressões são naturais. O governo está em fase de acomodação, de ajuste de sua equipe, que está aprendendo a governar de maneira mais presente a máquina pública que foi travada durante esses anos. O Brasil não tinha mais crédito para nada, tinha uma política de endividamento violentíssima. Nós saímos de um endividamento de 150 bilhões para 800 bilhões de dólares e isso é uma tragédia para qualquer país. E o Brasil hoje está começando, nesses três meses do governo Lula, a depender menos de dólares externos e a ter confiança em sua própria economia. Está começando a melhorar as exportações, a abrir linhas de crédito e a estabilizar essa nefasta política do dólar para tentar controlar a inflação.

O que vai representar para a população a estabilidade da economia brasileira?

Eu estou confiante de que vamos ter medidas de alto impacto, de governabilidade e de alta solidariedade ao povo brasileiro. Tenho também absoluta convicção que o presidente Lula fará um dos maiores governos da história da América Latina e vai se afirmar por esse projeto de Brasil que nós estamos defendendo. Acredito que erros de um ou de outro ministro tem que ser compreensível porque estamos em fase de ajuste do programa de governo e da gestão pública.

O que está faltando para o governo deslanchar?

Estamos com pouco tempo de governo. Nós temos que ter mais espaço de tempo, pois acredito que com menos de seis meses de gestão do presidente Lula seria uma precipitação desnecessária querer julgar a sua administração. Nós vamos dar as respostas que o Brasil precisa e vamos dar no tempo oportuno. Menos de seis meses é um tempo muito precoce para qualquer crítica maior a um projeto tão bonito que está sendo defendido pela primeira vez no Brasil.

Quais são as conquistas que o senhor espera serem obtidas nos próximos quatro anos para o governo Lula se transformar num dos maiores da América Latina?

Os avanços vão se dar na produção, na distribuição de renda e no acesso ao consumo por parte da sociedade brasileira. Ou seja, a sociedade que vai ter acesso à renda vai ter acesso ao consumo e vai estimular a produção do Brasil. Você não pode imaginar é um Brasil que tem 10 vezes mais terras agricultáveis do que a China e produz 120 milhões de toneladas de grãos, enquanto a China produz 400 milhões de toneladas de grãos. Então, nós temos que fazer a política que o Brasil precisa, que é a política da produção, da distribuição de renda e assegurar o consumo para a sociedade. Além disso, temos de fazer o acesso básico às grandes reformas nas áreas sociais, tais como saúde, educação, saneamento básico e outras. Temos de ressaltar também a segurança, pois o governo Lula vai se afirmar como o governo que intimidou e colocaram no seu devido lugar o crime organizado e o narcotráfico no Brasil.

Quer dizer então, que a agricultura dará a grande resposta para o desemprego e a má distribuição de renda no país?

Não tenho a menor dúvida. Nós não podemos é seguir aquela linha irresponsável de reforma agrária que foi adotada anteriormente, quando se dizia que as pessoas estavam sendo assentadas, mas o que ocorria era a transferência das pessoas para uma grande área de miséria. Nós queremos que as pessoas assentadas no campo tenham dignidade, tenham agricultura familiar e tenham o sistema de cooperativismo e associativismo como a base de sua organização econômica e de sua produtividade. Queremos que o projeto de reforma agrária do presidente Lula seja um projeto de resultados. Primeiro, dando dignidade a quem está no campo e segundo, levando pessoas que vão ter dignidade porque vão botar riqueza e o alimento na mesa de toda a sociedade urbana desse país. Eu estou muito confiante que a agricultura é uma área fundamental e que sua resposta para o país será fantástica.

Nesse contexto da segurança, como é que está o Acre?

O Acre está bem. O Estado tem hoje uma proporção polícia/sociedade melhor do que a proporção de Nova Iorque (EUA), pois tem mais de 90% de seus homicídios elucidados, enquanto São Paulo tem menos de 10% de seus homicídios elucidados em termos de autoria. A Polícia tem o aparelhamento básico para trabalhar, tem salário básico digno para poder trabalhar e tem um efetivo satisfatório. Então, estamos a um passo para consolidar um exemplo de política de segurança pública no Brasil nesse segundo mandato do governador Jorge Viana.

Como o senhor avalia o desenvolvimento do Acre hoje?

O Acre só terá futuro se tiver desenvolvimento, se tiver, além de um governo forte, como é o de Jorge Viana, que tem dado a vida de todos os seus servidores a favor da inclusão social e da cidadania para a população, uma bancada forte, atuando em conjunto na capital federal.

O que os parlamentares podem fazer por esse desenvolvimento?

Nós, parlamentares, temos que ajudar no desenvolvimento. E desenvolvimento significa criar caminho de financiamentos, levar mais indústrias para o estado, fortalecer ações específicas nas suas microrregiões para que a juventude acreana possa ter uma oportunidade futura. Esse é o desafio que une a bancada do Acre hoje e tudo que pudermos fazer unidos, dentro de cada ministério do governo federal, de cada agência de desenvolvimento regional para valorizar esse apoio à população do Estado do Acre, seja em Santa Rosa, em Porto Valter, Thaumaturgo ou Assis Brasil, nós vamos estar unidos e vamos estar empenhados em ajudar o governador Jorge Viana a consolidar esse projeto de mudança efetiva da realidade do Acre”.

Entrevista Página 20
Amazônia
Colunas
Cotidiano
Expediente
Entrevista
Editorial
Estilo
Especial
Esporte
Política
Principal