
Estados Unidos lançam o maior de todos os ataques contra Bagdá
Tática do “choque e pavor” começou por volta do meio-dia (horário Acre); centenas de alvos foram destruídos
Bagdá - A capital iraquiana, Bagdá, sofreu ontem o maior bombardeio aéreo das forças lideradas pelos Estados Unidos desde o início da guerra, na madrugada de quinta-feira.
O ataque começou por volta das 21 horas no horário local (12 horas no Acre). Quase duas horas depois da primeira onda de ataques, novas explosões foram ouvidas no leste de Bagdá. As forças iraquianas responderam com baterias antiaéreas.
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, disse em Washington que este é o começo da “guerra aérea” contra o Iraque, uma tática descrita pelo governo americano como “shocking and awe” - choque e pavor.
O general Richard Myers, um dos comandantes da operação militar, disse que várias centenas de alvos no Iraque seriam atingidos nas próximas horas (durante a noite no Iraque).
Um dos palácios do presidente Saddam Hussein, nas margens do rio Tigre, foi atingido nos ataques.
Outros alvos ficam na região oeste de Bagdá, onde fica a sede do serviço de informações iraquiano, a sede do partido governista Baath e o aeroporto internacional. O bombardeio foi muito mais pesado do que nas duas noites anteriores.
Vários incêndios podem ser vistos pela cidade, mas tanto a eletricidade como as transmissões de rádio e televisão continuaram funcionando depois do ataque.
A cidade de Mosul, no norte do Iraque, também foi alvo de pesados bombardeios de aviões americanos. Enormes chamas foram vistas no céu em várias ocasiões.
Um comboio americano que partiu do norte do Kuwait chegou à periferia da cidade iraquiana de Nasariyah, a cerca de um terço do caminho até Bagdá.
Um correspondente da BBC que acompanha o comboio disse que as forças americanas vinham lançando foguetes contra posições iraquianas defendendo um cruzamento chave no rio Eufrates. Ainda não se sabe se as forças iraquianas responderam ao ataque.
O correspondente da BBC que acompanha o comboio disse que este pode ser um teste para saber se o Exército iraquiano vai tentar evitar o avanço dos americanos e assegurar o controle do cruzamento do rio Eufrates.
Segundo correspondente da BBC, o comboio avançou durante todo o dia sem problemas ou resistência.
FRENTES - Outras tropas americanas, que se deslocaram a partir do Kuwait para o sul do Iraque, já alcançaram o porto de Umm Qasr, o único de águas profundas do Iraque, localizado no sudeste do país.
Fuzileiros navais britânicos disseram ter obtido controle da península de Al-Faw, onde estão localizadas várias refinarias de petróleo.
O ministro da Defesa britânico, Geoff Hoon, disse que o confronto foi breve e a infra-estrutura estava intacta.
O chefe das tropas britânicas, almirante Michael Boyce, disse que as forças americanas tinham tomado Umm Qasr depois de enfrentar uma resistência maior do que o previsto na fronteira com o Kuwait.
Um correspondente da BBC em Umm Qasr diz, no entanto, que o controle da cidade não é garantido, e que continuaram os confrontos com explosões intermitentes.
O almirante Boyle disse que as forças americanas e britânicas estão agora avançando em direção à periferia de Basra, a segunda maior cidade do Iraque, e que os soldados iraquianos estão se rendendo, segundo ele, “em números significativos”.
O governo americano também informou ter capturado dois campos de pouso iraquianos, segundo eles numa importante operação do leste do país, a 250 quilômetros de Bagdá.
As pistas podem ser usadas para receber reforço americano para uma ofensiva em Bagdá. Além disso, os campos ficam numa área que poderia ser usado pelo Iraque para ataques de mísseis Scud contra Israel.
VÍTIMAS - Não existe informação precisa de quantos iraquianos foram mortos pelas forças americanas e britânicas. Correspondentes da BBC que acompanham as tropas invasoras dizem ter visto vários corpos de iraquianos, mas disseram que não podem estimar o número total de mortos.
Militares americanos disseram que dois fuzileiros navais do país morreram em combate até agora. Na quinta-feira à noite, oito soldados britânicos e quatro americanos morreram na queda de um helicóptero no Kuwait, mas os militares dizem que se trata de um acidente não de um conflito.
Aliados assumem controle
de
bases aéreas e campos de petróleo
Americanos e ingleses lançaram mão de campos de petróleo
Sul do Iraque - Em uma ofensiva maciça, forças da coalizão liderada pelos Estados Unidos avançaram, ontem, pelo deserto do Iraque, capturaram cidades estratégicas no sul do país e assumiram o controle de bases aéreas e campos de petróleo.
Na operação mais expressiva da guerra até então, fuzileiros navais da Grã-Bretanha tomaram a península de Faw, a única ligação do Iraque com as águas do Golfo Pérsico.
Forças norte-americanas se infiltraram também no norte do Iraque, com o objetivo de conquistar alvos cruciais e tentar acelerar a queda do regime de Saddam Hussein.
Um comboio de veículos de combate Bradley e tanques M1 A1 Abrams, apoiados por outros blindados do Terceiro Esquadrão do Sétimo Regimento de Cavalaria do Exército norte-americano, segue em direção à capital iraquiana, Bagdad, praticamente sem encontrar resistência.
O correspondente da CNN Walter Rodgers, que acompanha o esquadrão, descreveu o aparato norte-americano como “uma onda impressionante de aço”, que conseguiu destruir pelo menos sete caminhões e vários tanques que encontrava pelo caminho.
Ao amanhecer, tropas britânicas e norte-americanas capturaram dois importantes campos de pouso na região oeste do Iraque, bem como terminais de petróleo no sul do país, nas proximidades da cidade de Basra.
Os campos aéreos, conhecidos como H-2 e H-3, são considerados fundamentais para a continuidade da operação militar dentro do Iraque. Este último também foi apontado pelos serviços de inteligência norte-americanos como um provável centro de armas de destruição em massa.
O avanço dos britânicos por terra precipitou a rendição de dezenas de soldados iraquianos, agora transformados em prisioneiros de guerra.
A península de Faw, que liga Basra à costa do Golfo Pérsico, no sul do Iraque, abriga a maior parte da indústria petrolífera do país, sendo a principal rota de escoamento para as exportações do produto.
Concluída com êxito, a operação deu às forças aliadas o controle sobre os maiores terminais de oleodutos do Iraque. A informação foi divulgada pelo comandante do batalhão de fuzileiros navais britânicos envolvido na ofensiva, coronel Steve Cox. “Nossos alvos foram capturados com sucesso”, disse Cox.
O militar também alegou que “vários” soldados iraquianos foram mortos nos ataques aéreos que precederam a invasão por terra, bem como nos combates subseqüentes.
O porta-voz das Forças Armadas britânica, Chris Vernon, disse que cerca de 250 soldados iraquianos se entregaram ontem a fuzileiros navais norte-americanos.
Outros 30 soldados, segundo Vernon, renderam-se a forças britânicas na cidade portuária de Umm Qasr. Enfileirados, os soldados seguiram a pé por uma estrada, sob a mira de fuzis.
Um correspondente da agência Reuters contou ter visto uma bandeira dos Estados Unidos tremulando no novo porto de Umm Qasr.
O ministro da Informação do Iraque, Muhamed Said Sahaf, foi à televisão estatal para, em entrevista coletiva, negar a queda da cidade.
Entretanto, segundo o correspondente da Reuters, Adrian Croft, apenas o porto antigo de Umm Qasr permanecia em poder dos iraquianos.
Bolsas sobem e petróleo
cai
no segundo dia de ataques
As bolsas subiram ontem nas principais praças do mundo e os preços do petróleo caíram aos níveis mais baixos dos últimos quatro meses.
Os movimentos estão diretamente relacionados à avaliação pelos investidores de que as tropas americanas e britânicas estão avançando rapidamente no Iraque, o que reforça a esperança de que a guerra vai terminar rapidamente.
Em Londres, o FTSE-100 (que reúne as ações das cem maiores empresas negociadas na Bolsa de Londres) subiu 2,5%, fechando em 3.861 pontos. Em Wall Street, o Dow Jones subia 1,83% às 17h40m (horário de Londres), 13h40m (horário de Brasília).
Os preços do petróleo cru tipo Brent caíram US$ 0,33, chegando a US$ 25,14 o barril, no mercado londrino.
DÓLAR - Nos mercados de ações, o otimismo com o avanço das tropas americanas e britânicas no Iraque impulsionou a alta e ofuscou a busca por investimentos seguros que tende a ser registrada em sextas-feiras, por causa do receio do fim de semana.
Para o economista sênior da MMS International Kim Rupert, os mercados estão mais confiantes.
“Eles não ficam mais tão preocupados antes do fim de semana como acontecia até duas ou três semanas atrás”, disse ele. “Estão mais confiantes”.
O dólar também se valorizou em relação a outras moedas, atingindo as maiores altas dos últimos dois meses, com a aposta dos operadores de que a guerra será curta.
A moeda americana se valorizou em 1% em relação ao iene japonês, chegando a 121,77 ienes, e na mesma proporção em comparação ao euro - a moeda única européia -, chegando a US$ 1,0507 por euro.
Com o aumento da confiança, continuou a tendência de queda dos investimentos seguros, como ouro e títulos do Tesouro americano.
Dólar fecha em
queda de 2,13%, vendido
por R$ 3,406 nível é o menor em dois meses
São Paulo - O dólar comercial fechou em forte queda ontem. A moeda norte-americana encerrou o dia vendida por R$ 3,406 (compra a R$ 3,401) pela taxa do Banco Central, uma queda de 2,13% em relação ao valor do fechamento de ontem. Trata-se do menor nível do dólar em dois meses.
O Banco Central do Brasil vendeu ontem US$ 748,8 milhões em papéis atrelados ao dólar. Com leilões que foram realizados na semana passada, cerca de metade dos vencimentos cambiais de US$ 3,1 bilhões, de 1º de abril, foram rolados.
Além da rolagem, o mercado está animado com os aparentes bons resultados da campanha militar dos EUA no Iraque. Ontem, primeiro dia de operações depois do início da guerra entre os EUA e o Iraque, o dólar comercial fechou em alta. A moeda norte-americana encerrou o dia vendida por R$ 3,48 (compra a R$ 3,476), alta de 0,35%.