
Nem só de discursos vazios ou ideologias sociológicas vive um povo. A prática da florestania, sonho acalentado por gerações de ecologistas e poetas, deve ser um processo real e simples, em que o amazônida realmente preveja o futuro de seus filhos e o seu próprio por meio de medidas elementares, no trato com a terra, na conservação dos ecossistemas e principalmente no amor pátrio.
Tanto os cidadãos que moram nas cidades quanto os produtores rurais, ambos podem ceder espaço ao pensamento de fraternidade, sentimento que deve permear a volta desse amor pela terra. Um vivendo para melhorar a sociedade; o outro, o espaço alheio, cada um aprenderá a ser mais cidadão, mais tolerante e, por conseqüência, mais humano.
Só é necessário praticar as boas idéias, agir em prol da coletividade. E não divagar em conceitos técnicos e suposições que na maioria das vezes não levam a nada, a não ser a uma infrutuosa e prolongada discussão. Nem mesmo a falta - temporária - de tecnologias poderá escusar de seu destino o acreano, que, embora urbanizado e globalizado, fará renascer em si a chama do extrativista nordestino que sobreviveu aos enigmas e mistérios da selva.
Iniciativas válidas e dignas de aprendizado existem. Florescem nas páginas dos jornais acreanos - como a edição de hoje do Página 20. Aqui, a vida simples de um colono é retratada com toda a tremenda carga de simplicidade que o tema, naturalmente, impõe. A matéria de autoria da jornalista Rose Farias mostra que a verdadeira vocação econômica do Acre não está tão longe da prática quanto se imagina.