
Personagem do Esporte
Domingo Amaral
Um paraense que veio para
o Acre marcar
sua vida esportiva no glorioso extinto Piauí
Um dos
maiores representantes do esporte amador do
Estado admite que a falta de incentivo o levou a mudar de ramo
Raimundo Fernandes
Nos anos 80, as cores verde e branca do Piauí Futebol Clube eram por demais respeitadas, fosse no futebol de campo amador, futsal, voleibol, handebol ou qualquer modalidade. O time era forte de tal maneira que quando não chegava ao título estava na decisão. Foi assim no futsal, onde se transformou num dos mais conhecido não somente no Acre, mas até no Brasil, pois disputou diversos campeonatos nacionais. No campo foi também muitas vezes campeão ou vice, disputando o Autônomo da Federação de Futebol.
O maestro dessa orquestra chamada de Piauí era Domingos Amaral, um parenese que hoje é mais acreano do muitos aqui nascidos, pois se dedicou de corpo e alma ao desporto, e com isso tirou dezenas de jovens da marginalidade, dando assim chance para estes fossem por demais conhecidos através do esporte.
Pai de toda essa geração de craques, Domingos Amaral sempre foi um homem simples de coração grande, correto e por demais eficiente em tudo que faz. A prova disso é o sucesso de sua empresa, a Papelaria Escolar.
Por ser um homem de posições firmes e corretas, Domingos Amaral, mesmo sabendo que seu time era forte, decidiu deixar o esporte após várias conquistas. Ele foi motivado pela desilusão pela falta de apoio de órgãos públicos, empresas, sem incentivo fiscal e até mesmo nas administrações em determinadas federações.
Um desportista que incentivava
as
categorias de base em suas equipes
Domingos Amaral, como cartola, era um tipo de dirigente que desejava ganhar disputando na quadra ou no campo, sem aquelas artimanhas de enganação. Não gostava de tapetão nem de usar em seu time atletas que não tivessem com sua documentação totalmente regularizada. Também não aceitava que outros dirigentes usassem tal expediente. O dirigente do Piauí exigia educação dentro de fora de campo, por isso a maioria dos atletas que atuaram no seu time são hoje empresários, outros advogados, jornalistas e até militares. “Sempre achei que o cidadão começa se formar ainda jovem e tive sorte com meus atletas, tanto que hoje o Ney, que foi um jogador das categorias de base do Piauí, é gerente da Papelaria Escolar e é uma pessoa com uma bela formação”, comenta Amaral.
Quanto ao motivo que o levou a deixar de trabalhar com o desporto, ele diz que teve muitas alegrias, mas também não conseguiu colocar na cabeça de outros dirigentes que todos tinham que buscar renovações de valores. “Tive muitos gastos e depois vi que faltava maior incentivo, até fiscal. Ninguém ajudava. Depois de passar seis anos gastando os próprios recursos com raras ajudas, resolvi parar. O time do Piauí surgiu na rua do mesmo nome, no antigo bairro Papoco, e deu muitas alegrias à sua torcida. Até mesmo ao desporto de modo geral, por sua organização e simpatia”, comenta Amaral. Para os atletas que defenderam o Piauí, Amaral era uma espécie de paizão. “Um pai que todo filho gostaria de ter”, afirma Ney.
O que pensa Amaral
Por que a desilusão com o desporto?
Amaral – Não é com o desporto, mas com pessoas que lidam com ele. Muitas vezes a falta e incentivo de órgãos governamentais, coisa que não existia em minha época, é outra coisa que me levara a tomar esta decisão.
Com todo esse histórico vitorioso, você não pensa em retornar?
Amaral – Não. Acho que já dei minha parcela de colaboração, até acho que hoje no governo Jorge Viana as coisas têm melhorado bastante, mas prefiro cuidar de minha família e de meus negócios.
Más administrações na Federação de Futsal influenciaram sua decisão?
Amaral – Sim. A gente gosta às vezes de ver as coisas ir por uma caminho que é o correto. Ninguém gosta de ver o que é seu jogado fora por esse ou aquele mau dirigente. A federação sempre foi um problema à parte.
Tem ido ao ginásio ver jogos nos últimos campeonatos de Futsal?
Amaral – Não. Às vezes vejo pela televisão, nos programas esportivos. Mas dá para perceber que o índice técnico é o pior possível. Falta renovação em todos os setores.