
Forças aliadas avançam em
Basra, mas não tomam cidade
Iraquianos se misturam entre civis e dificultam operação do Exército
Forças dos EUA e da Grã-Bretanha avançaram ontem rumo à segunda maior cidade do país, Basra, tomando seu aeroporto e uma ponte, depois de enfrentar resistência do Exército de Saddam Hussein. Na tentativa de evitar uma sangrenta guerrilha urbana, os aliados decidiram não invadir imediatamente e capturar Basra, ponto estratégico que é a entrada para os poços de petróleo no sul do Iraque.
A decisão foi tomada para evitar que se repita o que ocorreu na cidade portuária de Umm Qasr, também no sul, que os aliados levaram dois dias lutando para controlar. Lá, os soldados enfrentaram batalhas de rua em rua contra soldados que usavam roupas civis e táticas de guerrilha, disse o tenente-coronel britânico Chris Vernon.
“Comandantes militares só entram em embate em áreas urbanas quando necessário”, disse Vernon. “Foi necessário em (Umm) Qasr por causa do porto.”
O plano militar diz que o porto de Umm Qasr é essencial para receber ajuda de organizações humanitárias, que querem fazer entrar comida, água e remédios para a população no sul do país. Mas a cidade é importante também para fazer chegar suprimentos militares dos aliados.
A batalha por Basra, a maior cidade do sul do Iraque, não teria objetivo estratégico, disse Vernon. Eles esperam que uma campanha de negociação com as tropas iraquianas - que incluiria despejar panfletos de aviões com chamados à deserção e telefonemas a oficiais iraquianos em seus telefones por satélite - persuadiria gradativamente as forças de Saddam Hussein a desistir de lutar.
Oito mil soldados iraquianos se entregam
A 51ª Divisão do Exército do Iraque, posicionado a oeste de Basra, se “desintegrou”. Oito mil homens se entregaram e outros simplesmente partiram.
Em Umm Qasr, onde um fuzileiro naval foi morto na sexta-feira, forças iraquianas locais usaram “táticas de guerrilha” para desacelerar o avanço aliado, disse Vernon.
Alguns soldados iraquianos, vestidos como civis para se misturar à população, tiraram vantagem do desejo aliado de minimizar baixas civis.
Colisão entre
dois helicópteros
britânicos deixa sete mortos
Dois helicópteros Sea King da Marinha Real Britânica colidiram sobre águas internacionais no Golfo Pérsico na madrugada de ontem e seus sete tripulantes acabaram mortos, revelou o porta-voz das forças britânicas no Golfo, Al Lockwood.
Lockwood afirmou que a colisão não foi conseqüência de fogo inimigo. As causas do acidente ainda não foram esclarecidas, entretanto.
Este é o segundo acidente envolvendo helicópteros da coalizão militar EUA-Grã-Bretanha desde o início da guerra contra o Iraque. Na última sexta-feira, um helicóptero CH-64 Sea Knight caiu no Kuwait e deixou oito fuzileiros navais ingleses e quatro norte-americanos mortos.
Ataques
contra grupo ligado
à Al-Qaeda matam mais de 100
Os Estados Unidos lançaram dezenas de mísseis contra três vilas que serviriam de base para um grupo vinculado à rede Al-Qaeda nas montanhas no norte do Iraque, afirmaram políticos e militares curdos no sábado. Autoridades curdas informaram que pelo menos 100 pessoas morreram no bombardeio. Centenas de pessoas fugiram da região.
Um líder da União Patriótica do Curdistão, que pediu para não ser identificado, afirmou que uma ofensiva terrestre usando forças curdas contra o Ansar al-Islam estava sendo preparada e poderia ser lançada ainda neste fim de semana.
O general norte-americano Tommy Franks confirmou o ataque de mísseis dos EUA contra um campo do Ansar al-Islam na noite de sexta-feira. O principal comandante curdo na região, Mostafa Said Qader, afirmou que 40 mísseis Tomahawk foram lançados contra as vilas de Qhormal, Biyare e Sargat. Os mísseis teriam partido do mar Vermelho.
Na manhã de ontem, mais dois mísseis foram lançados contra um centro do Ansar al-Islam. “Os mísseis atingiram o alvo. Muitos foram mortos e feridos, mas não sabemos exatamente quantos. Segundo informações, foram mais de 100”.
O Ansar al-Islam é um grupo militante composto por cerca de 700 membros e com supostos vínculos com a Al-Qaeda, de Osama Bin Laden. O grupo já matou dezenas de autoridades e soldados curdos desde que começou com suas atividades em 2001.