
Prêmio da edição 2002 do Prefeito Empreendedor será entregue amanhã
Prefeitura de Xapuri está entre as cinco administrações indicadas como promotoras de desenvolvimento
Os cinco prefeitos que venceram a edição 2002 do Prêmio Prefeito Empreendedor receberão a premiação amanhã, às 11 horas, durante o VIII Congresso Brasileiro de Municípios, que acontecerá em Brasília. As prefeituras de Santa Helena (PR), Osvaldo Cruz (SP), Campos Verdes (GO), Maracás (BA) e Xapuri (AC) foram indicadas como as que promovem ações empreendedoras para o desenvolvimento do município focando no apoio às micro e pequenas empresas.
No mesmo dia, o presidente do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), Silvano Gianni, estará lançando a versão 2003 do Prêmio. A expectativa é de que a coordenação do concurso envie o edital com o regulamento para cada uma das 5.561 prefeituras em todo o país a partir de maio, quando começarão as inscrições para o prêmio.
A estimativa é de que pelo menos 700 prefeituras se inscrevam para participar da versão 2003 do Prêmio Prefeito Empreendedor.
Como premiação os prefeitos vão levar para suas cidades um troféu, o selo e o certificado de município empreendedor, e terão essas ações divulgadas em rede nacional, de 21 a 25 de abril, no intervalo do Jornal Nacional, na Rede Globo. Os mesmos programas, com duração de um minuto e meio cada, serão reprisados na semana seguinte no intervalo do Bom Dia Brasil. Matérias contando a história de cada um dos municípios vencedores também serão veiculadas em cinco edições consecutivas na Revista Veja, a partir do dia 16 de abril.
Xapuri dá exemplo de empreendedorismo
O município de Xapuri, localizada a 180 km de Rio Branco no Acre, terra natal e cenário dos lutas liderados pelo seringueiro Chico Mendes, é um dos vencedores do prêmio “Governador Mário Covas para prefeito empreendedor”, promovido pelo Sebrae (Serviço de Apoio as Micro e Pequenas Empresa). É em Xapuri que está sendo implantado um projeto revolucionário e altamente promissor de exploração racional dos recursos da floresta que tende a se constituir em uma experiência capaz de trazer o tão desejado desenvolvimento econômico e social da floresta.
O Pólo de Indústrias Florestais de Xapuri (Piflox), foi lançado em março de 2001, mas nasceu em 1996 com o padre italiano Luiz Ceppi. Natural de Como, Norte da Itália, Ceppi vive no Acre há cerca de duas décadas e em suas viagens à terra natal para rever a família descobriu que poderia prestar uma enorme ajuda ao povo acreano além de suas rezas e peregrinações pastorais nas redondezas de Xapuri.
Em Como existe um grande centro industrial de móveis em madeira, composto basicamente por empresários de pequeno porte. Sabedor de que na Amazônia existe madeira em abundância, Luiz Ceppi buscou sondar a possibilidade de uma parceria com o Estado do Acre e foi bem sucedido. O interesse foi imediato e logo representantes dos madeireiros italianos (na maioria aposentados), desembarcaram em Rio Branco e foram para Xapuri, onde permaneceram algum tempo.
“Os italianos gostaram do que viram e acreditaram que em Xapuri seria possível ser instalada uma escola de formação de mão-de-obra especializada em marcenaria” conta o prefeito Júlio Barbosa. A iniciativa envolveu desde sua implantação três níveis de governo: o município entrou com o terreno, o governo federal, (através da Suframa – Superintendência da Zona Franca de Manaus) bancou a infra-estrutura e o governo do Estado assegurou o asfaltamento do acesso à cidade (Estrada da Borracha). A parceria garantiu ainda investimentos, tecnologias e atraiu empresários de outras unidades da federação para o Estado.
“O pólo é a prova de que é possível usar a floresta com sabedoria. A exploração da madeira, por meio de manejo, está beneficiando mais diretamente os produtores, agregando mais preço ao produto e melhorando a renda e a qualidade de vida da população da região” disse Júlio Barbosa, prefeito da cidade.
Exploração racional aquece a economia
Os números ainda são incipientes, mas dados do município, revelam que a exploração racional da madeira está aquecendo a economia da região e transformou-se em um negócio extremamente lucrativo.
Júlio Barbosa lembra com orgulho da batalha que travou para convencer as cerca de 20 famílias que moram no Seringal Cachoeira das vantagens do manejo florestal. Mostrar que a floresta é ambientalmente importante, mas que permite melhorar a situação econômica das famílias que nela vivem não foi tarefa fácil. Isso exigiu um longo trabalho de persuasão, com muita didática, que desencadeou uma enorme participação popular e mexeu com a cultura, tradições e costumes enraizados há séculos.
No Seringal Cachoeira, em Xapuri, está instalado um Pólo Agroextrativista (PAE) que tem proteção ambiental estabelecida em lei. É de lá que sai a totalidade da madeira consumida pelo Piflox. O derrubada das árvores é feita obedecendo-se uma série de critérios. O primeiro deles é em relação ao tamanho e idade da espécie a ser abatida. Nenhuma pode ter menos do que 50 centímetros de diâmetro e, para cada árvore que cai, outras da mesma espécie são plantadas na mesma área e a título de compensação. Pelas normas estabelecidas, é obedecido um ciclo de 30 anos. Somente após este período é que haverá um novo corte.
“Derrubamos o mito de que a floresta em pé não traz riquezas e que, a mesma floresta, derrubada, traz fartura”, destacou Júlio Barbosa.