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Rio Branco - Acre, terça-feira, 25 de março de 2003
Campeões nervosos

Francisco Dandão

Caminhos que vão e vêm. Roda do destino levando uns aos limites do mais alto céu e outros às profundezas do inferno. No futebol, pelo menos em se tratando de Brasil, vice é nada. O título, ao contrário, faz dos homens deuses. A felicidade que eles irradiam se espalha por milhares de corações.

Neste último final de semana, uma parte da massa brasileira delirou com o triunfo dos seus eleitos, a outra chorou o leite derramado. A sorte dos perdedores é que o tempo não pára. Em seguida terá um outro campeonato, que será sucedido por outro, e assim por diante, até o fim das bolas.

Na impossibilidade de estar em vários lugares no mesmo momento, nem de possuir um televisor que capte a transmissão de todos os jogos simultaneamente, eu me limitei a assistir duas finais de campeonato, uma no sábado e a outra no domingo. Paulistas, primeiro, e cariocas, depois.

Guardadas as proporções, tecnicamente falando (o futebol paulista está muitos anos-luz à frente do carioca), em ambas as partidas os mesmos ingredientes: uma vontade incomum de vencer por parte dos jogadores, muitos gols, belas defesas dos goleiros e um grande espetáculo nas arquibancadas.

Tudo teria sido mais do que perfeito, não fosse um pequeno detalhe (são sempre os detalhes as coisas mais difíceis de ser esquecidas): o nervosismo de alguns dos personagens envolvidos na disputa. Mesmo sendo apenas um jogo, para determinadas personalidades parece a disputa da vida.

Na final paulista, por exemplo, nem bem haviam decorridos quatro minutos de jogo e dois contendores (Reinaldo, do São Paulo, e Kleber, do Corinthians) já levavam o cartão vermelho. Alijados da peleja, sem explicações plausíveis, o máximo que puderam fazer foi reclamar do juiz.

Já na final carioca, aí o negócio me pareceu mais grave. Além do entrevero entre Marcelinho (Vasco) e Marcão (Fluminense), dentro do campo de jogo, dois ensandecidos dirigentes do Almirante de São Januário (Eurico Miranda e Antônio Lopes) quase estragam a festa do seu próprio time.

De Eurico não se pode esperar muita coisa mesmo. A história de truculência dele não o credencia a ter gestos assim tão esportivos. Agora, Lopes, justamente quem deveria demonstrar mais serenidade, francamente. Imaginem só o que ele não fazia quando era delegado, hein?

Noves fora tudo, entretanto, parabéns a Corinthians e Vasco.

fdandao@zipmail.com.br
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