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Rio Branco - Acre, terça-feira, 25 de março de 2003
Partido Comunista do Brasil: 81 anos de luta

Hildo Cezar Freire Montysuma *

É comum, em livros que ensinam história nas escolas, o registro de que, no ano de 1922, aconteceu a Semana de Arte Moderna. Referem-se, também, ao Levante do Forte de Copacabana. E nada mais de relevante teria ocorrido no ano da celebração do centenário da Independência. De fato, é absolutamente verdadeiro que esses dois “levantes”, o dos intelectuais e o dos tenentes, marcaram 22. Mas além desses significativos episódios, houve um acontecimento extraordinário. Exatamente em 25 de março de 1922 ocorre a fundação do Partido Comunista do Brasil. Ele brota das lutas da nascente classe operária brasileira, inspira-se na revolução socialista de Outubro de 1917 e levanta a bandeira vermelha do socialismo em nossa terra. De lá para cá, parafraseando o poeta Ferreira Gullar, o Partido Comunista não se tornou a maior agremiação do Brasil; mas quem se referir à história brasileira sem mencioná-lo, ou não conhece a história ou está ocultando parte importante dela.

Nessas mais de oito décadas de existência o PCdoB tem sido uma voz e a ação dos oprimidos e explorados de nossa terra. Onde há povo em luta, há PCdoB.

Essa postura guerreira fez do Partido alvo da ira das elites. Em julho de 22, quatro meses após sua fundação, o Partido é posto na ilegalidade. Sua sede foi invadida e seus dirigentes presos. Militantes padeceram longos anos nas prisões. Na carne e na alma foram vítimas de torturas atrozes. Só no último período de ditadura militar, mais de uma centena de comunistas foram assassinados. Porém, o Partido jamais se intimidou, nunca renunciou ao seu papel histórico. E para exercê-lo teve, na expressão de Jorge Amado, de atuar nos “subterrâneos da liberdade”.

Grande feito deu-se no início dos anos 90. Nesse período pelo mundo afora, governos, partidos, estátuas, verdades, dissolveram-se. Mas o PCdoB resistiu - por ter raízes no povo brasileiro e por sua capacidade de elaboração crítica. Já na década de 60 havia-se denunciado o desvio daqueles países da rota revolucionária. Fortaleceu-se, em meio à crise, porque reafirmou o socialismo sob um estudo crítico, essa foi a bases para a construção de um programa socialista para o Brasil elaborado segundo a cultura de nosso povo e a realidade nacional.

Em 89 foi o proponente da Frente Brasil Popular, que após 13 anos de seu surgimento chega ao poder com a eleição de Lula, tendo os comunistas na linha de frente dessa batalha.

Ao completar os 81 anos de lutas a militância comunista do Brasil é tomada por um misto de alegria e dor. Alegria pelo fato de pertencer a organização política mais antiga e sólida em atividade no país, e dor, em virtude desse octogésimo primeiro aniversário do PCdoB acontecer no momento em que o povo iraquiano está sendo vítima de bárbara agressão e os direitos humanos são pisoteados.

Na opinião do PC do Brasil manifestada em nota do Comitê Central, essa guerra “... é a tentativa de afirmar pela força bruta, por cima de uma ONU aviltada, a supremacia de um país sobre todo o planeta”.

Esse quadro nos leva a crer que a sanha sanguinária de Bush e o imperialismo americano não vão cessar com o assassinato de Saddam Hussein. O objetivo é o mundo.

Por se tratar de grave crise no planeta o PCdoB conclama o povo acreano a comemorar os seus 81 anos de fundação incorporando-se à luta revolucionária pela paz contra a agressão imperialista dos EUA.

Viva os 81 anos do Partido Comunista do Brasil!

Viva o socialismo!

Pela paz mundial!

* Membro do Comitê Estadual do PCdoB no Acre

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