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Rio Branco - Acre, quarta-feira, 26 de março de 2003
Índice de inflação acreano é mais alto
que o do Sul do país, diz economista

Consumidores acreanos deixam supérfluos nas prateleiras do supermercado e consomem apenas o suficiente para viver

Marcos VicenttiCom a lista de compras na mão e os olhos atentos aos preços a dona de casa Catarina de Oliveira calcula o aumento dos produtos na prateleira do supermercado. Reclama do feijão, que subiu cerca de um real, e da carne, que saltou de R$ 3,95 para R$ 5,65. Ela faz a feira mensalmente, procura comprar “o grosso”, como arroz, óleo, macarrão, e tenta abastecer a geladeira nos fins de semana com verduras e carnes compradas na feira. Com o olhar preocupado ela revela a decepção que tem a cada item que acrescenta no carrinho.

Catarina conta o que milhares de outras donas de casa descobriram com o alto índice de inflação e o constante aumento nos preços no Acre: “Ante você poderia levar para a despensa os produtos da cesta básica, e até um ou outro supérfluo deixando no caixa do supermercado cerca de R$ 150. Hoje com mais de R$ 200 não consigo pôr no carrinho tudo o que eu colocava antes. Isso mostra que os preços subiram e o salário da gente estagnou”.

Uma descoberta nada agradável para a dona-de-casa. Ela lembra com preocupação de que a cada novo mês fica mais difícil levar para casa todos os produtos necessários do supermercado.

O fato constatado por Catarina é confirmado pelo presidente do Conselho de Economia do Estado do Acre (Corecon), Rogério Gonçalves Bezerra.

“As pessoas estão percebendo que o que elas compraram no mês passado com uma quantia de dinheiro não vai ser colocado no carrinho pelo mesmo preço este mês. Os preços estão subindo a toda hora”, comenta o economista.

Poder de compra é reduzido

Outra dona de casa, Graça Oliveira, também alerta para o aumento constante nos preços e diz se manter esperta quanto a inflação. “Neste supermercado está tudo mais caro. Sempre comprava todos os produtos necessários aqui, mas fui obrigada a mudar de opção. Agora faço a feira semanalmente e em diversos locais, sempre fazendo pesquisa de preço. Meu marido controla bem os aumentos num e outro local.”

Fazer pesquisa de preço parece ser a melhor alternativa para o consumidor. “É bom gastar um pouco mais da sola do sapato e pesquisar onde está mais barato, faz bem ao bolso”, indica o economista.

O poder de compra do consumidor está cada vez mais reduzido. No Acre, segundo Rogério, não existem institutos de pesquisa que possam acompanhar o nível de inflação, não por falta de mão de obra especializada, mas sim pelos recursos serem escassos. Apesar de não oferecer dados estatísticos ele alega que a inflação acreana chega a ser mais alta que a do sul do país.

“Nossos preços variam muito em relação aos do sul do país por dois motivos principais: o primeiro é que todos os produtos vêm de fora do Estado e o outro é o combustível, que pode ser classificado como um grande vilão. Outras regiões não sofrem tanto com o aumento da gasolina, mas nós dependemos dela”, ressalta.

Gêneros de primeira necessidade

O economista dá um exemplo do quanto a inflação acreana chega a ser alta: “Na região metropolitana de São Paulo o índice inflacionário varia num mês entre 1,5 e 2%. Aqui os mesmos produtos chegam a sofrer altas de até 30%”.

Nesse contexto de aumento constante nos preços os produtos classificados como os de primeira necessidade são os que mais sofrem aumento, e os que mais o consumidor percebe, segundo Rogério.

“Sentimos mais o aumento nos produtos que nós precisamos comprar do que em outros que são de primeira necessidade, como os alimentícios. Itens do vestuário e eletrodomésticos, por exemplo, também aumentam, mas se pode deixar de lado e optar por comprar depois”, explica.

Os supérfluos estão ficando nas prateleiras dos supermercados. “Como está tudo ficando cada vez mais caro, o jeito é comprar menos. Frutas como pêra e morango não entram mais no meu carrinho. Verduras e carnes são comprados com cautela”, lamenta Graça.

Dicas para economizar

Consumidor esperto, segundo o economista, é aquele que faz pesquisa de preço e não é escravo de uma única marca. Confira as dicas que Rogério dá para economizar nos gastos:

· Pesquise, pesquise e pesquise. Não compre todos os produtos num único lugar e busque sempre a opção que oferece melhores preços;

· Preste atenção no concorrente da marca que você costuma comprar. Muitas vezes um produto similar e de qualidade parecida pode estar sendo oferecido a um preço bem mais acessível ao consumidor.

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