
Polícia encerra caso Mauro Braga
Mulher foi a ponte entre mandantes e executor do crime, que ainda tem muito o que ser investigado, segundo a viúva
J. Guimarães
A prisão de Dinara da Silva Lobo, 26, ocorrida ontem à tarde no centro de Rio Branco encerrou as investigações sob o assassinato do ex- gerente do extinto Banco do Estado do Acre (Banacre) e pecuarista Mauro Braga. A mulher foi a ponte de ligação entre o mandante do crime, Antônio Augusto Rodrigues, 56, o “Bodão”, e seu capataz, Sebastião Bento da Silva, com o pistoleiro Dorival Sardinha da Costa, 45, contratado em Goiânia pelo capataz para executar o crime.
Dinara foi a pessoa que manteve contatos com o pistoleiro durante os dias em que ele passou no Acre. Ela fornecia as informações necessárias para ele praticar o crime e transmitia orientações dos mandantes da morte. A mulher visitou o pistoleiro no hotel Rodoviária várias vezes e numa dessas visitas teria entregado ao matador a arma usada para eliminar Mauro Braga.
A mulher também foi autora de um depósito no valor de R$ 12 mil feito em uma agência bancária, no centro de Rio Branco, em nome de Dorival. A polícia tem informações de que outras remessas de dinheiro, só que em quantidades menores, foram feitas por Dinara para o pistoleiro a pedido do namorado Sebastião Bento da Silva.
No entanto, o delegado que apurou o caso, Walter Prado, não quis revelar quanto custou a morte de Mauro Braga.
“Não vamos falar em valores. O que temos a dizer é que a polícia dá por encerrado o caso e a Secretaria de Segurança Pública do Acre, através de seu secretário Fernando Melo, já entrou em contato com a polícia de outros Estados solicitando ajuda para prender o homem que puxou o gatilho da arma que matou Mauro Braga”, disse o diretor de polícia em entrevista coletiva.
Polícia confirma versão anterior
A prisão de Dinara da Silva Lobo não alterou a versão apresentada anteriormente pela polícia para o caso. O delegado Walter Prado confirmou que a morte foi motivada por uma dívida que o Fazendeiro Antônio Augusto, o “Bodão”, tinha com Mauro Braga.
“Negócios inacabados entre as duas partes motivou o crime. O fazendeiro Antônio Augusto estava tendo problemas com a vítima em decorrência do arrendamento de muitas cabeças de gado, que lhe resultou numa dívida muito alta com Mauro Braga”, declarou o delegado Walter Prado.
De acordo com as investigações, Antônio Augusto resolveu se livrar da dívida encomendando a morte de Mauro Braga, e contratou o próprio capataz para cuidar do crime. Esse, por sua vez, contratou um pistoleiro em Goiânia e colocou a namorada Dinara para agenciar o homicídio.
O papel dos envolvidos no crime
Antônio Augusto liberou dinheiro para o capataz Sebastião Bento contratar gente para matar Mauro Braga.
Sebastião contratou em Goiânia o pistoleiro Dorival Sardinha da Costa e envolveu a namorada na trama para ser a ponte de ligação do pistoleiro com os mandantes do crime.
Dinara esteve sempre em contato com o homem desde quando ele chegou ao Acre. Ela manteve o namorado e o patrão informados dos passos de Dorival em Rio Branco até a tarde do crime.
Dorival Sardinha Costa sondou a casa da vítima, seguiu-o por algumas horas e voltou para Goiânia. Em novembro do ano passado ele retornou ao Acre para consumar o crime. Ontem a polícia divulgou seu retrato-falado, acompanhado de uma foto feita há 12 anos.
Justiça decreta prisão preventiva
Com base nas investigações da Polícia Civil o juiz da Vara do Tribunal do Júri de Rio Branco, Elson Sabo Mendes Júnior, decretou ontem à tarde a prisão de todos os envolvidos.
O fazendeiro Antônio Augusto e o capataz Sebastião Bento, que cumpriam prisão temporária na 6a Unidade de Segurança Pública foram transferidos para o complexo penitenciário porque tiveram prisão preventiva decretada.
Dinara tomou conhecimento de sua prisão preventiva dentro do gabinete do diretor de polícia, para onde foi levada pelos agentes após ser detida no centro da cidade. Em seguida ela foi conduzida para a 6a USP, e recambiada para a penitenciária junto com o namorado e o fazendeiro Antônio Augusto.
Dorival Sardinha da Costa está sendo procurado em todo o país, principalmente no Estado da Bahia, onde estaria escondido.
Pecuarista seria morto em casa
A morte de Mauro Braga era para ter acontecido bem antes, talvez no mês de setembro, dentro de sua residência, no bairro Isaura Parente, durante uma simulação de assalto. Mas o primeiro plano dos matadores foi descartado pelo pistoleiro, que achou precipitado fugir de uma casa localizada numa rua com apenas uma saída.
“A intenção dos acusados era eliminar a vítima dentro de casa, de maneira que parecesse um latrocínio, mas quando a pessoa contratada para o crime chegou ao Acre pela primeira vez, em setembro do ano passado, não aceitou o plano. A rua onde a vítima morava só tinha uma saída e o pistoleiro poderia ser fechado pela polícia na fuga”, relatou Walter Prado.
Segundo a polícia, Dorival ainda chegou a sondar a casa da vítima várias vezes estudando uma maneira de mata-la. Em uma das vezes que sondou a residência de Mauro Braga, o homem foi visto pelos mecânicos de uma oficina próxima. Os mecânicos teriam avisado a vítima do fato.
Família se emociona na delegacia
Durante a transferência dos acusados da 6a USP para a penal, às 16 horas de ontem, a filha da vítima, Ússula de Oliveira Braga, não se conteve e começou a chorar nos braços da mãe, Herloiza Almeida de Oliveira.
Aos gritos a moça chamava Antônio Augusto de assassino e pedia justiça para a morte do pai. Depois da comoção da filha, Herloiza Oliveira parabenizou o trabalho da polícia e pediu ao governo do Estado que encontre e prenda, também, o pistoleiro.
O caso - Mauro Braga foi morto com dois tiros de pistola na tarde do dia 19 de dezembro do ano passado, no portão de uma de suas fazendas na estrada Irineu Serra.
Inicialmente o Instituto Médico-Legal (IML) deu a morte como ataque cardíaco, mas logo voltou atrás e em outro laudo declarou que o ex-gerente do extinto Banacre tinha sido assassinado a tiros de pistola, disparados à queima-roupa.