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Rio Branco - Acre, quarta-feira, 26 de março de 2003
Veteranos na parada

Francisco Dandão

Se tudo o que tem sido falado sobre a formação dos elencos dos times acreanos para o campeonato deste ano for verdadeiro, me parece que nós teremos a competição mais interessante dos últimos tempos. Para onde a gente se vira, a conversa é uma só: reforços, tanto nativos quanto importados.

Um detalhe curioso na profusão de nomes citados para compor as diversas equipes é o de vários jogadores veteranos. Alguns destes, inclusive, afastados dos gramados oficiais há várias temporadas. O argumento é o de que os veteranos serviriam de contraponto para os garotos das divisões de base.

Ontem mesmo eu fiquei sabendo pelas linhas competentes do companheiro Manoel Façanha que o goleiro da Adesg, agremiação interiorana, agora sob o comando do ex-árbitro José Ribamar Pinheiro de Almeida, será ninguém menos do que o veteraníssimo Klowsbey.

E fora o Klowsbey, fiquei sabendo também que treinam escondido todas as madrugadas nas alamedas do Parque da Maternidade, um trio da pesada formado pelos atacantes Amenu (lendário ponteiro direito do Andirá na década de 70), Lula (ex-Independência) e Edson Urubu (ex-muita coisa).

A soma das idades dessas três criaturas chega, fácil, fácil, aos 140 anos. Quem os conhece de perto, no entanto, jura que eles correm ainda como qualquer garoto de 18 ou 19 primaveras. Sei lá se isso é verdade. Para mim cheira a embuste. Mas, por enquanto, não posso provar nada.

A maior das surpresas entre os veteranos que querem correr atrás da bola nesse ano de 2003, porém, vem do segundo distrito da cidade. Trata-se do também ex-atacante Manoelzinho. Com 48 anos nos couros e seis cirurgias no joelho, há quem diga que o ex-craque bota qualquer menino no chinelo.

No que diz respeito ao Manoelzinho, aliás, eu sou testemunha de que o sonho dele de voltar a jogar é tão antigo quanto a contusão que ele sofreu nos idos anos da década de 80, no estádio José de Melo. Foram muitas as nossas conversas de lá para cá. E ele sempre me afirmou que voltaria.

A meia dúzia de cirurgias a que o Manoelzinho se submeteu atestam a força de vontade dele de um dia novamente entrar num campo de futebol como atleta profissional. Ele podia andar muito bem sem elas. Mas isso não lhe bastava. A corrida pelas extremas, o chute, o gol, a ovação da torcida... É isso que o ex-craque procura. Talvez falte muito pouco.

fdandao@zipmail.com.br
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