
O estampido surdo das balas assassinas, quaisquer que sejam os calibres, ecoam pelo mundo afora. Como se repetindo a barbárie ora em evidência no conjunto do território iraquiano, no Brasil tombam os defensores da lei. O braço armado do crime avança sobre o conjunto de uma sociedade perplexa e assustada.
As execuções de dois juizes no prazo de pouco menos de duas semanas – o primeiro em Presidente Prudente (SP) e o segundo em Vila Velha (ES) – sinalizam para um estado de coisas onde os criminosos perderam todo o receio do poder institucionalizado. Tal como no Iraque, o fogo tenta sobrepujar a justiça.
Em princípio, levando-se em conta a ousadia dos facínoras, ninguém mais está a salvo. A fase de pisoteio no jardim dos homens de bem já é um momento ultrapassado. Agora, é inegável, os bandidos já entraram nos lares e tratam de sufocar a voz do cidadão. Até um pedido de socorro, desta forma, deixa de ser possível.
No Acre, entretanto, onde nos últimos quatro anos o poder público tem combatido sem trégua o crime organizado, numa tentativa de evitar que a barbárie se aproxime e sufoque os filhos desta terra, já se esboça uma ação preventiva. A reunião que aconteceu ontem no Palácio Rio Branco é a maior prova disso.
As medidas que serão tomadas ainda não foram divulgadas. Mas é certo que o Estado se antecipa. Se tudo der certo – e dará, se Deus quiser – os acreanos só ficarão sabendo desse tipo de tragédia pela televisão. É o que todos esperamos, contritos e de olhos voltados para o imenso céu azul desse pedaço de Amazônia.