
Num momento dramático da trajetória do planeta, em que o sentimento mais sublime que move a espécie humana, o amor, a cada minuto parece se convencer de que está sendo aniquilado pela pujança do egoísmo e da globalização do ódio, criaturas de todas as raças dos cinco continentes decidem, num estertor de indignação, abrir mão das divergências naturais que as caracterizam e formar um coro uníssono com o propósito de destroçar esse terrível paradoxo que lamentavelmente tem posto o universo em polvorosa.
Do massacre americano contra inocentes no Oriente Médio ao crime organizado que afronta e enfrenta acintosamente as próprias instituições legais no Brasil, da bala perdida que derruba a adolescente numa estação de metrô carioca aos milhares de excluídos dos princípios rudimentares da cidadania, o desrespeito ao próximo transformou-se numa gangrena que corrói celeremente os últimos resquícios da dignidade, um maldito lugar-comum que faz da existência um desfilar de incertezas e uma sensação de que o horizonte da vida percorre o caminho inverso do óbvio planejado.
Nessa hora, que se danem as divergências políticas, ideológicas e tantos outros diferenciais; os pontos de vistas devem ser zerados para dar lugar à reconstrução coletiva do respeito mútuo, vilipendiado pela necessidade inerente aos mortais de perpetuar o presunçoso direito de estar sempre acima do seu semelhante. Unir os corações, as mãos, as vozes num poderoso grito de paz e amor, esse decantado binômio que ao longo dos séculos só serviu de mote para discursos apaixonados. Chega de retórica. O mundo está apodrecendo. Cabe a nós modificarmos essa desastrosa caminhada.
Na manhã desta sexta-feira, um exército de homens e mulheres, ricos, pobres, negros, brancos, acreanos ou não, empregados ou não, vai tomar as ruas desta cidade para exigir o mais universal dos direitos. Será uma manifestação inédita no solo desta terra. Você, leitor, que tem sede de paz, que deseja ver implodido o império da maldade, junte-se a nós, junte-se a eles. A vitória vai ser de todos. Para o bem geral da Terra.