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Rio Branco - Acre, sexta-feira, 28 de março de 2003

Fábrica de batatas fritas conquista espaço no mercado gastronômico de Rio Branco

Empreendimento familiar artesanal ganha clientela, investe em tecnologia e se expande como alternativa econômica

Ela dá mais sabor a diversos pratos, recheia e decora sanduíches, tornando-os, além de mais saborosos, crocantes. Um dos acompanhamentos indispensáveis ao strogonof, a batata palha, é um dos produtos que vêm sendo fabricado no Acre e não deixa nada a desejar aos industrializados que vêm de fora do estado.

A pequena fábrica existe há sete anos no mercado acreano e abastece grande parte da rede de supermercados existentes na capital.

“Por que não embalar esta batatinha tão gostosa que decora a “batata quente?”, essa foi a pergunta que deu vida ao empreendimento do casal Silvia e Rene Knochel, na época, proprietários da sorveteria Ice Cream. O incentivo e a oportunidade para entrar no mercado veio do empresário Adem Araújo.

O casal aceitou a sugestão e começou a embalar a batata palha, que antes era servida apenas como acompanhamento da “batata quente”, um prato servido na lanchonete tocada por Silvia e Rene.

No início, como em quase todo começo, a produção era totalmente artesanal, a batata era ralada à mão e frita em tachos. Há quatro anos, vendo que o negócio era rentável e o mercado estava pedindo uma produção maior, os empresários adquiriram, com recursos oriundos da própria economia, o maquinário necessário para aumentar a fabricação e ter condições de suprir o mercado.

Abastecendo de acordo com
a necessidade de mercado

Hoje a “Batata Palha” abastece as prateleiras dos supermercados Araújo, Gonçalves, Tô Querendo, Varejão Popular, Dayane, e vários outros menores. Além de fornecer seu produto a restaurantes como Big Lanche, Água na Boca, e aceitar encomendas para festas.

“Essa época não é boa de vendas. Nós sempre abastecemos os supermercados de acordo com a necessidade. Vamos até lá e verificamos se tem ou não produto e qual a quantidade necessária para abastecer o espaço que temos”, explica Silvia.

A embalagem da “Batata Palha” vem de fora, “É um saquinho especial para conservar alimentos, não é vendido aqui no Acre”, diz Silvia. A matéria-prima também. “Não é qualquer batata que serve para fritar, a melhor é a ‘asterix’, também conhecida como roxa ou vermelha. Antes ela era consumida apenas no sul do país, mas ganhou destaque no âmbito nacional pela excelente condição de fritura”.

Uma das preocupações dos empresários é com a matéria-prima. Eles adiantam que a fabricação pode ser interrompida temporariamente, pois a saca do produto comprada diretamente no Seasa, em São Paulo custa em média de R$ 80 o saco com 50 quilos e pode subir para R$ 140. “É impossível trabalhar com uma matéria prima nesse valor. Não queremos repassar esse aumento ao consumidor. Se esse aumento for confirmado vamos dar um tempo na produção”, ressalta a empresária.

A pequena fábrica, ainda manual, é operada apenas por um funcionário. Em época de festas, como o final de ano, a produção triplica e mão de obra extra é contratada. “Eu e meu marido fazemos os contatos com os supermercados, repomos os produtos nas prateleiras, no espaço que foi cedido para nós, atendemos os clientes e ajudamos a embalar o produto”, disse Silvia.

Chips e mandioca em palitos serão lançados

Um produto que está fazendo sucesso entre os consumidores é a mandioca congelada “Vó Lurdes”. O negócio foi proposto pela direção do Supermercado Araújo em função da grande procura dos clientes.

“Na verdade é a minha sogra, Maria Luzia, quem iniciou o negócio, ela compra a mandioca direto dos produtores. Vendeu a casa em Campo Grande e está fazendo a mudança definitiva para o Acre. Compramos uma chácara e vamos começar a plantar a mandioca para suprir toda a necessidade do mercado. São colocados mais de 200 quilos semanalmente no mercado”, conta Silvia.

E a família Knochel tem novidades para lançar no mercado acreano: “Já fizemos os testes e em breve estaremos lançando a “mandioca chips”, e a mandioca em palitos, pronta para fritar. Não conseguimos congelar a batata em palito por que a máquina é cara, só as grandes indústrias oferecem esse produto”, avisa a empresária.

Cerca de 1.600 litros de sorvetes
são entregues por semana

Silvia e Rene, além da “Batata Palha”, abastecem supermercados, lanchonetes e restaurantes com 1.600 litros de sorvete por semana. “A máquina de sorvete só funciona uma vez por semana por que a demanda aqui não é tão grande. Nós entregamos entre 50 e 60 baldes de 20 litros e 200 potes de 2 litros semanalmente”.

Rene comenta que os sorvetes de frutas regionais não são os mais procurados pelos clientes. “Fazemos todos os sabores mas, os mais consumidos não são os de frutas daqui. O campeão de vendas é o de flocos”, complementa.

A pequena fábrica da “Batata Palha” e do sorvete “Ice Cream” tem o alvará de funcionamento da Vigilância Sanitária e o casal está concluindo um curso sobre normas de higiene, limpeza e manipulação de alimentos oferecido pelo Senai, o APPCC.

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