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Rio Branco - Acre, sexta-feira, 28 de março de 2003
O que é fazer justiça?

“O grande primado da justiça é a igualdade”, disse o juiz da 3ª Vara da Justiça Federal no Acre, Jair Facundes, respondendo à pergunta feita esta semana pelo editor-assistente Altino Machado, do Página 20. A entrevista, que está sendo publicada nesta edição, revela um faceta nova do Poder Judiciário no Estado, humanizado e arejado pelo ingresso de juízes jovens e idealistas.

Jair é um deles. Atualmente com 33 anos, nasceu na base da pirâmide social, como filho de carpinteiro residente na zona rural de Rio Branco. Estudou em escolas públicas e tornou-se juiz aos 26, por meio de concurso. Além de competente, é destemido, pois o crime organizado não o assusta.

Para ele, o direito não se impõe por si só, por isso recomenda um método eficaz de seleção de juízes. “O juiz não pode ser refém das leis”, declarou, cheio de sabedoria e coragem.

Ele tem razão. Em tempos de violência, da guerra e do crime organizado, não ajuda contar com uma Justiça velha e bolorenta como muitas togas conhecidas.

No caso do Acre, sobretudo, onde floresce uma sociedade efervescente e original, é preciso que esses temas sejam tratados às claras e com desassombro. O crime existe desde que o mundo é mundo, lembra o juiz acreano, leitor da Bíblia e daimista: “O que não pode acontecer é o crime se transformar em estado criminoso”. E advertiu: “Se o crime não é combatido de forma preventiva e definitiva, existe o risco de voltar e se alastrar”.

Nada mais conveniente, portanto, que governo do Estado, a prefeitura e boa parte da população saiam às ruas hoje, numa manifestação pela paz, contra a guerra e contra o crime organizado. Melhor que negar o risco é estar pronto para impedir que ele volte a enraizar-se entre nós.

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