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Rio Branco - Acre, sexta-feira, 28 de março de 2003
Uma arte brasileira erudita,
baseada na cultura popular

Reside na obra do romancista e dramaturgo
Ariano Suassuna, autor de o Auto da Compadecida

DivulgaçãoMembro da Academia Brasileira de Letras, Ariano (foto) tem sua obra permeada por valores e personagens da cultura popular nordestina e de clássicos da literatura universal. Um dos marcos na sua carreira é o romance A Pedra do Reino, lançado em 1971, e que já foi traduzido para várias línguas. Esta união de gêneros e estilos também serviu de inspiração para o escritor fundar, junto com outros artistas pernambucanos, em 1970, o Movimento Armorial que pretendeu criar uma arte brasileira erudita, baseada na cultura popular. O movimento - que surgiu, segundo Ariano, em oposição à invasão da cultura norte-americana no Brasil - ganhou adeptos em todas as áreas, se expandido na literatura, dança, teatro e música, e agregando nomes como Capiba, Guerra Peixe, Antonio Nóbrega, Antonio José Madureira e Jarbas Maciel.

Arte brasileira erudita

O movimento armorial, surgiu no dia 18 de outubro de 1970, com uma comemoração a altura, celebrada na Igreja de S. Pedro do Clérigos, com direito à exposição de artes plásticas e concerto com a Orquestra Armorial de Câmara, regida por Cussy de Almeida. Ao contrário do que realmente acontece, a orquestra armorial precedeu o movimento. Em nosso idioma, Armorial é somente substantivo. Ariano Suassuna passou à empregá-lo também como adjetivo, para qualificar os cantares do romanceiro, os toques de viola e rabeca dos cantadores- toques arcaicos, ásperos, acelerados, que chegam à lembrar a música barroca. É portanto, uma arte brasileira erudita, embasada em nossas raízes populares. O movimento inspirou profundamente os poetas, músicos, atores, bailarinos e artistas plásticos da década de 70. Representa, sobretudo, o pontapé inicial para elevar a nossa cultura ao máximo, tornando-a conhecida no mundo inteiro. Semelhante ao que podemos vivenciar nos anos 90, com o surgimento do movimento mangue, o qual mobilizou todos os ramos artísticos desde a música a moda, criando-se assim, um estilo bem próprio de fim de século.

Auto da Compadecida

Além dos romances, boa parte da obra de Ariano está dedicada à dramaturgia. É de sua autoria um dos textos mais encenados do teatro brasileiro, Auto da Compadecida, que também já ganhou uma versão adaptada para o cinema e foi traduzida para o alemão e o francês. O seu último trabalho para o teatro foi A História de Amor de Romeu e Julieta, uma versão do clássico de Sheakespeare com elementos da literatura de cordel. Dono de uma obra vasta e respeitada, o escritor confessa que o jornalismo sempre serviu de referência para seu traballho. Ele guarda uma pasta com recortes de jornais de matérias sobre cultura, astrologia, política e polícia. “Crio vários personagens a partir deste material”, revela Ariano. Não é a toa que na trama de A Pedra do Reino, está o repórter Quaderno, redator da Gazeta de Taperoá, “o jornal mais antigo em circulação do Cariri paraibano”. Aos 76 anos, Ariano ocupa o seu tempo, terminando de escrever àquele que considera ser o seu último livro. A obra, iniciada em 1991, é uma continuação de A Pedra do Reino. (BPR)

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