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Rio Branco - Acre, domingo, 30 de março de 2003
Religião e demanda social

A pluralização religiosa, conseqüência natural da globalização, também contribui para agravar a crise de valores que atinge o mundo pós-moderno. Até mesmo no Acre vemos mandamentos, dogmas e doutrinas recriadas num esforço de adaptação de suas mensagens ao mundo globalizado.

O curioso é o efeito dúbio desse processo. Se releituras são necessárias para atender uma demanda crescente de sociedades com bases morais em ruínas, as organizações religiosas precisam dessa mesma estrutura caótica para se manter como alternativa viável de consumo e padronização moral.

A indústria religiosa, com sua busca por adaptação ao mundo globalizado, acaba oferecendo produtos com eficácia, no mínimo, questionáveis. A exploração moral e econômica, demonstrados na reportagem especial da edição de hoje, mostra essa faceta infelizmente bem assimilada pela sociedade acreana.

Se a religião delimita determinada visão de mundo, com todos os elementos simbólicos que oferece, não deve também servir de alavanca para preconceitos em relação a visões diferentes. E aqui entra a outra faceta dessa história. A convivência pacífica é a base para toda relação em sociedade.

O Acre, terreno fértil para um caldeirão de alternativas religiosas, precisa estar atento para visões unilateralizadas da verdade, e, principalmente, práticas que oprimam ainda mais o seu povo.

Afinal, Deus não é um produto da globalização. E nem pode ter um preço fixado pela onda do capitalismo mundial.

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