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Rio Branco - Acre, domingo, 30 de março de 2003

“Bijuterias da Amazônia”

Marca acreana lança no mercado de São Paulo, Rio e Belo Horizonte peças criadas com sementes naturais

Rose Farias

É na floresta que a designer Gilma Vasconcelos, proprietária da marca Bijuterias da Amazônia, tem buscado inspiração para criar suas refinadas peças com sementes. Antes de enveredar por esse rico mercado, Gilma, que é acreana, conta que trabalhava na montagem de bijoux na linha industrial, em São Paulo. Após voltar para o Acre, a empresária descobriu o rico valor da matéria-prima extraída da floresta. Há um ano e meio ela se lançou no mercado e diz que as peças que comercializa para lojas do Rio, São Paulo e Belo Horizonte têm tido uma grande aceitação, por mesclar qualidade e design arrojado.

“Já desenvolvia bijuterias em São Paulo e adorei voltar para o Acre e descobrir o potencial das sementes. São uma verdadeira fonte de inspiração e renda. Essa linha que exporto para o Rio, São Paulo e Belo Horizonte é desenvolvida com exclusividade e graças a isso tenho garantido o nome da minha marca no mercado desses três Estados”, contou a empresária.

Qualidade no beneficiamento - Colares, pulseiras, braceletes, brincos, enfim, um mix desenvolvido com o propósito de atender todos os gostos, compõem o mostruário da marca, criado com sementes como paxiubão, açaí, jarina, sororoca, e sibipiruna. Segundo a empresária, as bijoux diferem da linha industrial por ser um produto que demanda um certo preparo da matéria-prima, como a seleção de sementes que precisam ser beneficiadas com qualidade. O preço das peças varia de 15 a 150 reais.

“Não é fácil trabalhar com sementes regionais. Nem sempre o beneficiamento da matéria-prima atende a qualidade. Aqui não temos uma oficina ou uma pequena indústria para efetuar esse preparo. Esperamos que o Estado, por meio da Agência de Negócios, crie esse espaço”, comentou Gilma, acrescentando que teve que mesclar suas peças com matéria-prima industrializada.

“O grosso são as sementes, a essência de tudo. É claro que para chegar aonde cheguei fiz toda uma pesquisa. E, graças a Deus, consegui criar uma harmonia mesclando as sementes, a base, com esse tipo de material. E a aceitação foi ótima”, comentou.

Tingimento especial com urucum, espinafre e açaí

Um dos diferenciais de sua marca vem estampado nas cores das peças que trazem um tingimento especial das sementes feito com o urucum, espinafre e açaí. Gilma explica que o processo não é 100% natural porque nem todas as cores fixam naturalmente em certos tipos de sementes.

“O açaí por exemplo, a cor extraída é o lilás, mas nem todas as sementes aceitam. Então tenho que mesclar o corante com um produto químico para fixar a cor. Isso proporciona a conservação do produto”, explica.

Empresária propõe criação de
um mercado acreano mais arrojado

Criando bijuterias exclusivas para marcas de outros Estados, Gilma conta que sua linha de produção ainda é pequena, mas que sua expansão é viável. Ela acredita que ganhar mais mercado está relacionado a criação de uma política que valorize o produtor local, que busque a qualificação dos profissionais que atuam na área e com a criação de um mercado mais arrojado no Estado.

“Não tenho problemas com minhas peças, pois tive a felicidade de trabalhar com a montagem de bijuterias em São Paulo. Mas é importante que se crie uma política mais arrojada. O produtor tem que saber que seu produto é aceitável desde que atenda as exigências do consumidor. A embalagem por exemplo faz parte desse processo”, diz.

A empresária foi uma das participantes da 1ª Feira de Produtoras, iniciativa da Secretaria Extraordinária da Mulher que encerrou ontem. Ela aponta a importância de iniciativas como essas.

“É importante esse tipo de ação, que deve acontecer todos os anos. Existe uma valorização da produtora, uma troca de informações e experiências. E valoriza o trabalho do profissional da comunidade. As mulheres estão puxando esse movimento ”, finalizou

Onde econtrar os produtos Bijuterias da Amazônia: Agência de Negócios do Acre - ANAC – www.negociosdafloresta@ac.gov.br ou 30261149

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