
Comitê de entidades pela paz e contra a guerra no mundo é criado no Estado
Diversas pequenas entidades espalhadas nos municípios vão se organizar em torno de manifesto geral na próxima sexta
Tão logo terminou a manifestação de sexta-feira, os organizadores se reuniram para criar o Comitê Acreano pela Paz e contra a Guerra, que terá a missão de organizar o grande ato de paralisação em todo o Estado na próxima sexta-feira, 4.
Para facilitar a mobilização, serão criados comitês municipais responsáveis pelo chamamento da população. Lideranças políticas se deslocarão aos municípios onde têm bases eleitorais para ajudar na mobilização. No interior, as caminhadas ocorrerão pela parte da manhã.
Em Rio Branco, cidade onde está localizada a maioria da população acreana, será realizado um ato-show em frente ao Palácio Rio Branco à tarde. Antes, serão feitas várias caminhadas partindo dos bairros. As concentrações serão em igrejas e escolas. Artistas e demais integrantes do movimento cultural estão sendo convocados para animar o ato.
A idéia, segundo o deputado Edvaldo Magalhães (PC do B), um dos idealizadores da manifestação, é politizar o movimento no seu sentido progressista, sem o vínculo partidário. “Não adianta querer escamotear a verdade. Um ato desse só acontece porque há iniciativa política”, disse.
Para tentar mobilizar o maior número possível de manifestantes, serão produzidos adesivos de peito e distribuídos à população. Além disso, a fim de dar uma caráter mais amplo à paralisação contra o massacre de inocentes no Iraque pelas forças americanas e inglesas, as escolas públicas realizarão um dia de discussão na quarta-feira.
As discussões nas escolas serão puxadas pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinteac), Associação dos Professores Licenciados (APL) e secretarias municipal e estadual de Educação.
“Ainda durante a semana, a igrejas católica e evangélica farão culto tendo a guerra como temática. Os atos religiosos terão o objetivo de fazer um chamamento aos fiéis”, explicou Edvaldo Magalhães.
Durante a semana, o governo do Estado e a prefeitura vão se reunir com o setor empresarial para acertar detalhes sobre o movimento de sexta-feira. Os representantes de bancos também serão convidados para discutir o assunto. “A idéia é parar o Acre por um dia”, concluiu o deputado comunista.
Composição da comissão
1 representante do governo do Estado
1 representante da prefeitura de Rio Branco
1 representante do Parlamento
1 representante do movimento social
2 representantes da igreja
1 representante das entidades patronais
Marcha pela paz reflete união
de todos por um Acre melhor
A “Marcha pela Paz” contagiou o Acre não só pela demonstração de desagravo contra a ação norte-americana no Iraque. Um dos principais elementos que demonstram a importância do ato de sexta-feira foi a união. Quando todos têm que alinhar os discursos em volta de um conceito pacifista. Há uma tendência de juntar entidades, partidos e sindicatos no coro sempre subversivo de pregar “a fraternidade entre os povos”. O atual momento histórico acreano evidencia que a passeata apenas consolidou uma vontade coletiva de trabalhar pela união de todos rumo ao desenvolvimento dos processos que envolvem a vida do acreano.
Não foram poucas as pessoas que declaravam abertamente a necessidade de se ter a paz aqui mesmo próximo a todos. A paz na política, a paz nos lares, a paz no trânsito, a paz entre as famílias. O ato de jogar as flores no rio Acre foi de uma simbologia muito forte. De uma maneira concreta, os manifestantes queriam que a singeleza e a simplicidade expressas nas flores se espalhassem por todo o mundo, rio abaixo, em uma demonstração de que as mudanças só se concretizam quando existe a vontade sincera a partir das margens e dos limites de cada um.
Durante o ato, a presidente da Fundação Garibaldi Brasil, Silene Farias, leu um manifesto que emocionou a todos. Logo depois, embalados por um dos hits de maior sucesso dos anos setenta “Marcas do que se foi”, dos Incríveis”.
Manifesto pela Paz
A Organização das Nações Unidas (ONU) é o único organismo internacional capaz de dirimir as dúvidas e equacionar conflitos envolvendo países em todo o mundo. O Conselho de Segurança da ONU votou contra a invasão Anglo-americana sobre o Iraque por considerar que não haviam sido esgotadas todas as possibilidades de solução pacífica para o conflito.
Fazendo coro com a ONU, milhões de pessoas em todo o mundo têm ido às ruas para protestar contra essa guerra insana e defender a paz.
No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Congresso Nacional também se manifestam em defesa do fortalecimento da ONU e contra essa guerra sangrenta, que tanta dor e tanta morte está causando a pessoas inocentes.
Aqui no Acre, a sociedade inteira clama pela paz. Lideranças políticas e religiosas, representantes de poderes e entidades da sociedade civil organizada; partidos políticos e personalidades que defendem e contribuem com a construção de uma nova ética mundial se juntam para dizer: “chega de violência!”
Por entendermos que a guerra e a violência são produtos das tiranias e da barbárie e, principalmente, por defendermos o fortalecimento da solidariedade, da ajuda mútua e da fraternidade entre os povos, é que realizamos hoje aqui em Rio Branco, esta “Marcha pela Paz”.
Só nos dispomos a guerrear contra a violência, a fome, o analfabetismo e as injustiças sociais.
O Acre está mais forte e unido em defesa da vida e pela paz!
O Acre caminha pela paz!