
Deputado Nilson Mourão defende
valorização dos idosos brasileiros
Parlamentar diz que Campanha da Fraternidade é apropriada para resgatar a dignidade da terceira idade no Brasil
Romerito Aquino
BRASÍLIA – O deputado federal Nilson Mourão (PT-AC) elogiou da tribuna da Câmara a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) por ter escolhido os idosos como tema da Campanha da Fraternidade deste ano, adotando como lema os valores da vida, dignidade e esperança.
Segundo o deputado, ao escolher para o debate nacional os problemas enfrentados pelos idosos, a Igreja quer despertar a atenção da sociedade e dos poderes constituídos, motivando todas as pessoas para que, iluminadas pelos valores evangélicos, sejam construtoras de novos relacionamentos e novas estruturas que assegurem valorização integral às pessoas idosas e respeito aos seus direitos, a fim de que a velhice seja marcada pela vida, pela dignidade e pela esperança.
Nilson Mourão lembrou o texto-base da Campanha da Fraternidade quando este esclarece que basta observarmos a multiplicação das academias de ginástica, cirurgias plásticas, o crescimento extraordinário da indústria de cosméticos e as drogas que prometem milagres. “Tudo isso se constitui num demonstrativo claro da dificuldade do homem moderno de conviver com o envelhecimento do corpo. Não encontramos valores na velhice que nos façam viver felizes. Preferimos acreditar que a velhice feliz consiste em parecer jovem, desconhecendo os valores e as vantagens da velhice”, continuou o deputado.
Segundo Mourão, o texto-base também aponta algumas das discriminações mais comuns enfrentadas pelos idosos, que acaba amedrontando pessoas de qualquer idade, deixando o idoso acuado diante da chegada da terceira idade e criando uma verdadeira síndrome da velhice para os mais jovens. “A Campanha quer ser uma contribuição para nos libertar de alguns mitos e preconceitos que precisam ser desfeitos. Entre eles, o que prega que a inteligência diminui com a idade. Não diminui. Basta ver a quantidade de pessoas acima de 60, 70 e até 80 anos que dão relevante contribuição intelectual, artística, empresarial, social e religiosa à sociedade”, disse o deputado.
Nilson Mourão lembrou ainda que a campanha chama a atenção para o mito predominante até hoje de que o Brasil é um país jovem. “Fomos um país de maioria jovem há trinta anos atrás. Hoje, o Brasil acompanha a tendência mundial de envelhecimento da população. A qualidade de vida, o avanço da medicina e dos medicamentos, a conscientização das pessoas para a higiene e os cuidados com a saúde, garantiram a longevidade dos brasileiros”, ressaltou o deputado.
Nilson Mourão lembrou que entre 1991 e 2000, o contingente de pessoas com mais de 60 anos subiu de 10,7 para 14,5 milhões de sexagenários, ou seja, um em cada 16 habitantes, registrando um aumento de 35,5% em apenas uma década. Segundo pesquisa do IBGE, esse número representa 8,7% da população brasileira. Nos países do Primeiro Mundo, a população de idosos equivale a cerca de 15%. A expectativa de vida média atual do brasileiro é de 67 anos e 8 meses, sendo maior para as mulheres (71 anos e 7 meses), quando comparada com os homens (64 anos e 1 mês). Estimativas apontam também para um aumento significativo de idosos nos próximos anos, chegando a dobrar o número no ano de 2020, estimado em torno de 27 milhões.
Estatuto do Idoso garante segurança e realização
Segundo o deputado Nilson Mourão, é necessário que o poder público se prepare para garantir cidadania a essa população, com saúde gratuita e de boa qualidade; uma aposentadoria digna que não os condene à mendicância ou os obrigue a continuar trabalhando por toda a vida como forma de complementar a renda familiar; centros de convivência, onde os idosos se encontrem e partilhem suas experiências e alegrias; criação e manutenção de asilos; e Universidade aberta à terceira idade.
No entender do deputado petista, estas são algumas iniciativas previstas no “Plano de Ação Governamental para o desenvolvimento da Política Nacional do Idoso”, capaz de oferecer uma qualidade de vida cada vez melhor aos idosos. Nilson Mourão afirmou que o Congresso Nacional pode dar uma grande contribuição para o envelhecimento seguro e feliz dos brasileiros, aprovando o Estatuto do Idoso que em breve deverá ser apreciado pelo plenário da Câmara.
Mourão lembrou que o estatuto tipifica os crimes e define punições para os que desrespeitam os direitos do idoso. Pelo projeto, a política de atendimento ao idoso, que inclui saúde, alimentação, cultura, esporte, lazer e direito ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, será feita de maneira integrada por um conjunto de ações governamentais e não-governamentais, da União, dos estados, Distrito Federal e dos municípios.
O deputado disse não ter dúvidas que o Estatuto do Idoso exercerá um papel tão importante para a terceira idade quanto exerce hoje o Estatuto da Criança e do Adolescente para os menores. “É nossa responsabilidade aprovar, com a máxima urgência, esse instrumento de defesa dos direitos, da dignidade e cidadania das pessoas idosas”, disse o deputado.
Em relação a esses direitos, segundo Nilson Mourão, a Campanha da Fraternidade desse ano se apresenta de forma profética ao denunciar o abandono, pelo poder público, de milhões de brasileiros que tem 60, 70, 80 anos, vivendo humilhados e na miséria. “Situações estas, incompatíveis com o projeto de Deus, autor da vida. Aliás, o que vemos na Sagrada Escritura é que Deus lançou mão do fraco para vencer o forte. Assim, foi que preferiu contar com pessoas idosas para missões de importância capital na história da salvação. Abraão, Sara, Moisés, Ana, Isabel, Simeão são exemplos disso. Este é o momento propício que o calendário litúrgico da Igreja Católica nos oferece para mudanças de rumo de nossas vidas e nossa atuação na sociedade”.
Para o deputado Nilson Mourão assinalou que o momento político o Brasil favorece essas mudanças. “Portanto, aproveitemos desse momento oportuno e façamos as mudanças para construir um país que acabe com as exclusões e acolha a todos: pobres e ricos, brancos, negros e índios, crianças, jovens, adultos e velhos. Esse é o país da nossa esperança”, completou.