
Entidade autônoma, sem fins lucrativos, a Santa Casa de Misericórdia do Acre sofre com a crise de ser um modelo arcaico de administração. A falta de investigações e auditorias durante vários anos transformou o local, construído para zelar pela saúde da população, num terreno fértil para falcatruas e disputas pelo poder.
A crise que a Santa Casa atravessa hoje não é apenas no âmbito da prestação de serviços na área da saúde. A disputa pelo poder entre grupos rivais pôs em xeque a organização interna. Não se deve esquecer, nesse momento, que a entidade, apesar de autônoma, recebe recursos públicos, através do Sistema Único de Saúde (SUS), o que torna ainda mais urgente a solução do problema.
A reportagem principal da edição de hoje do Página 20, conduzida pelo editor-assistente Josafá Batista, aborda esse problema de forma séria e democrática, ouvindo acusados e acusadores sem querer formar quaisquer juízos de valor. A preocupação principal, como o leitor poderá perceber, consiste nos efeitos do atendimento prestado à população. Ontem, por exemplo, a unidade de pediatria foi fechada e segundo o provedor, Edmir Gadelha, não há previsão de reabertura.
Enquanto esse caso envolver dinheiro público - dinheiro suado de quem paga seus impostos - é necessário que a Justiça tome providências e investigue o assunto. Não investigue para saber quem possui, nesse cabo-de-guerra, a razão nessas acusações mútuas, mas onde foram parar e de que forma aconteceram os desvios dos recursos que poderiam fazer o atendimento público na Santa Casa muito mais abrangente.