
Bandidos espalham rede de terror e
tráfico de entorpecentes no Vitória
Bandidos impedem bombeiros de socorrer vítima de esfaqueamento e ameaçam policiais que fazem ronda noturna
J. Guimarães
A equipe de resgate do Corpo de Bombeiros foi impedida por três marginais armados de escopeta de prestar os primeiros socorros a Edvan Rodrigues Bento, 23, esfaqueado terça-feira à noite no bairro Vitória. Os bandidos afrontaram os paramédicos e eles pediram escolta do Comando de Operações Especiais (COE) para conduzir a vítima em segurança até o pronto-socorro.
Segundo testemunhas, os bandidos se colocaram em posição de tiro atrás de uma bananeira, numa distância de oito metros da equipe de resgate, e mandaram uma pessoa avisar que iriam abrir fogo contra a equipe se ela socorresse Edvam, que pertence a uma gangue rival. A equipe de socorro colocou a vítima dentro do carro, deixando de cumprir o procedimento normal, que é efetuar os primeiros socorros no local do fato, e saíram escoltados pela COE.
“Quando a equipe chegou ao local do fato encontrou a vítima agonizando e uma multidão em volta. De repente correu todo mundo e um rapaz avisou que os bandidos estavam armados, atrás de uma bananeira, ameaçando abrir fogo. Eu fui avisado pelo rádio e determinei a suspensão dos procedimentos normais de socorro para que a equipe saísse do bairro o mais rápido possível. Na mesma hora acionei a Polícia Militar e ela seguiu para o local,” relatou o oficial do dia, Capitão Cleyton.
Gangues disputam o comando do tráfico
Os marginais identificados apenas por “Tatu”, “Cocô” e “Cutia” são os homens temidos e destemidos do bairro Vitória e região vizinha. Segundo a comunidade, eles comandam três gangues, cada uma com cerca de vinte marginais, que vivem em eterno conflito pela supremacia no bairro.
De acordo com os moradores a guerra é travada em via publica quando os bandidos rivais se encontram. “ No mês passado aconteceu um tiroteio aqui enfrente de casa que durou mais de quinze minutos. O bando do Cutia trocou tiros com a turma do Cocô por causa da venda de drogas. Um bandido foi baleado,” disse uma dona de casa que pediu para não ser identificada.
Segundo a própria comunidade, os bandidos brigam entre si, cobram pedágio das pessoas, arrombam residências para roubar, estupram, assaltam e ameaçam de morte as pessoas para que elas não os denunciem à polícia. “Existem garotas que foram estupradas e não procuraram a polícia com medo de represália contra a família”, frisou a dona de casa.
Quem pode se protege atrás de grades
Mesmo morando em uma residência murada e protegida por grades de ferro, a dona de casa Maria Ricardo de Oliveira, 51, e a filha Geana Ricardo de Oliveira, 34, não se sentem seguras.
“A gente nunca foi vítima da violência que reina no nosso bairro, mas sabemos de muitos casos ocorridos na vizinhança que nos deixam com medo de morar aqui”, revela Maria Ricardo.
O bairro Vitória é povoado por famílias pobres, de baixo poder aquisitivo, que constroem casas de madeira e sem muita segurança. São raras as residências em alvenaria que possuam muro alto e gradeamento de ferro igual ao de Maria Ricardo Oliveira. Mas a segurança tem seu preço. “Nós vivemos como prisioneiros dentro de nossas próprias casas”, reclama Geana Oliveira.
Lei do silêncio prevalece nas ruas
As 2 mil e poucas famílias que moram no bairro Vitória e adjacências vivem sob a lei do silêncio imposta pelos lideres das gangues. Ninguém pode falar com a polícia e imprensa a respeito do que ocorre no bairro.
Para conversar com nossa reportagem o diarista F.P.M., escolheu um local longe de casa e exigiu que seu rosto não fosse mostrado, e nem o nome citado. “Aqui todo mundo tem medo dos bandidos. Ninguém tem coragem de denuncia-los à polícia. Quando ocorre um homicídio as pessoas se calam com medo de serem a próxima vítima.”
Pena de morte - O diarista conta que o vizinho pagou com a própria vida por ter sido testemunha de um homicídio. “Ele viu o marginal ‘Pastorzinho’ matar um rapaz e contou à polícia. O bandido foi preso, mas um outro assumiu seu posto de líder da gangue e o matou dentro de casa com um tiro de escopeta no peito. A morte foi autorizada por Pastorzinho, de dentro do presidio estadual”, afirma F.P.M.
O esconderijo dos bandidos - Segundo o diarista, os bandidos não se preocupam em se esconderem da polícia. “Eles só se escondem quando a polícia está entrando no bairro. Durante a ausência dos policiais os marginais ficam maior parte do tempo no bar do Boldo, na travessa Flor de Maio.
Quem são os bandidos - “Existem muitos bandidos aqui nessa região, mas os piores são Derlândio, Paquinha, Chapolim, Tatu, Caboquinho, Botija, Cutia e Cocô. Esses dois últimos são os mais perigosos.”
Delegacia está sendo depredada
O governo do Estado construiu uma delegacia na rua do Divisor. A obra ficou pronta em dezembro do ano passado, mas até a gora ainda não foi posta em funcionamento e os ladrões já roubaram a bomba d’água.
A previsão da secretária de segurança pública é que a delegacia seja ativada no prazo de dois meses, enquanto isso o mato toma conta do prédio.
As paredes recém pintadas foram manchadas de lama pelos vândalos e o local da garagem vem servindo para o marginas se reunirem para usar droga à noite, segundo os vizinhos não existe vigia na delegacia.