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Rio Branco - Acre, quinta-feira, 3 de abril de 2003
Uma singela e maravilhosa notícia

Uma matéria publicada na edição de ontem deste diário, embora não seja daquelas que ganham capa de jornal e fazem o leitor levar o exemplar do jornal para casa, chamou atenção por sua singeleza e importância social,: “Médico escolhe Jordão para fazer medicina social”, informa o título esticado em duas linhas na abertura da página 9, encimando o texto que apresenta o médico Jorlei Jorge Borges Marins, clínico geral e funcionário do Ministério da Saúde, que escolheu o município de Jordão para viver e praticar sua medicina.

Na seqüência, a gente fica sabendo que o médico trabalhou ano passado no Timor Leste em missão da Organização das Nações Unidas (ONU). Ele foi atraído para o Acre pelo senador Tião Viana e, nesta segunda-feira, desembarcou na vila localizada a 640 quilômetros de Rio Branco, na terra onde vivem os índios Caxinauás. O jornal publicou uma foto em que Marins aparece encostado no teco-teco que o transportou para aquelas lonjuras, cercado de crianças. Uma cena tão antiga quanto o Acre.

O que deveria ser antiga também, mas virou novidade nos tempos atuais, foi a declaração do doutor Marins de que “a vontade de salvar os mais necessitados é que me dá forças para continuar trabalhando”. A maioria dos médicos que se conhece trabalham hoje com outras motivações, entre as quais o desejo de se tornar um rico fazendeiro. Ou dono de clínicas para tratar das elites urbanas.

O município de Jordão tem menos de 5 mil habitantes e está incrustado nas cabeceiras do rio de mesmo nome, no Alto Juruá. É uma terra de índios, seringueiros e ribeirinhos que precisam de pouca coisa para viver muito bem obrigado. E saúde é do que mais precisam.

Além de contar com uma unidade mista, naturalmente equipada, o doutor Marins vai dispor de medicamentos e estrutura para estender seus serviços aos ribeirinhos da região. O Governo do Estado promete não deixa-lo abandonado por lá, oferecendo-lhe cursos de acompanhamento em Tarauacá, Feijó em Rio Branco. Portanto, a saúde que já era prioridade no Estado com investimento da ordem de 22% (a média nacional é 12%), certamente receberá mais atenção ainda no Governo da Floresta II.

Tomara que apareçam mais médicos, agrônomos, arquitetos, botânicos, veterinários e economistas, entre outros profissionais bem formados, dispostos a morar no meio dos povos da floresta para construir com aquela gente um Acre moderno...e ao mesmo tempo parecido com o de antigamente.

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