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Rio Branco - Acre, sábado, 5 de abril de 2003

Escolas da rede municipal e estadual debatem sobre a guerra no Iraque

Professores explicam que discussão é uma forma de conscientizar os alunos acerca das conseqüências do conflito

A invasão ao Iraque pelos norte-americanos tem sido o principal assunto dentro das salas de algumas escolas da rede municipal e estadual de Rio Branco.

Cerca de 45 alunos da oitava série da escola Lourenço Filho estiveram na manhã de ontem debatendo sobre a temática, com enfoque nos principais motivos, suas conseqüências e de que forma o atual quadro pode atingir o Acre.

Para a professora de geografia e responsável pelo tema, Maria de Nazaré, a questão é de fundamental importância para os jovens, pois essa é a oportunidade que eles têm de expor o que pensam a respeito. Ela também acha que é uma maneira de ajudar a desenvolver o lado crítico de cada um.

“É importante que os alunos tenham uma posição a respeito de tudo o que está acontecendo. Essa guerra tem sido um dos maiores acontecimentos que eles já presenciaram e com certeza nesse exato momento eles estão tendo um pouco da sensação que nossos antepassados tiveram nas guerras anteriores”, explica a professora.

Ela acredita que o tema deve ser levado para todas as escolas do Estado, pois pode ser usado para conscientizar os alunos das conseqüências da guerra. A pauta pode ser abordada, segundo a professora, do ponto de vista da realidade do povo acreano. “Estamos em uma guerra constante. Guerra contra a fome, drogas, bebidas, marginalidade, enfim, essas guerras fazem parte de nosso dia-a-dia e nem nos damos conta. Tem que haver uma conscientização de que antes de nos manifestarmos em favor dos que sofrem lá fora, temos que nos manifestar em favor das pessoas que estão próximas de nós.”

Estudantes contra o conflito armado

Em busca de maiores informações e imagens sobre o tema, os alunos fizeram pesquisas nos principais jornais do Estado e do país.

Depois de constantes pesquisas sobre o assunto, o grupo formado pelas estudantes Marluir Almeida de Souza, 14, Egliane Silva Moraes, 15, e Andresa Cristina Alves, 15, acha que tudo o que está acontecendo no Iraque é desnecessário, uma vez que centenas de pessoas inocentes estão morrendo sem terem como se defender.

“É muito ruim tudo o que está acontecendo. A população não é obrigada a sofrer as conseqüências de uma disputa pelo controle do petróleo. Já não basta o sofrimento daquele povo quanto à falta de estrutura, educação e alimento? Penso que as coisas poderiam ser resolvidas de uma outra forma, sem que vidas fossem sacrificadas”, conclui Marluir.

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