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Rio Branco - Acre, sábado, 5 de abril de 2003
Cesta básica alternativa

A pesquisa sobre o custo da cesta básica que a Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Econômico-Sustentável realizou em Rio Branco, e que este jornal divulgou ontem, comprova o que os consumidores vêm percebendo faz tempo: os supermercados e mercearias da capital remarcaram os preços dos alimentos e dos produtos de higiene pessoal e limpeza doméstica com base em índices que estão muito acima da inflação.

Para se alimentar, cuidar da higiene pessoal e manter a casa limpa, segundo a pesquisa, uma família de cinco pessoas terá que desembolsar 428,30 reais no mês, o equivalente a quase dois salários mínimos atuais. Se forem somadas outras necessidades como roupas, estudos, transporte e lazer, os custos vão para o espaço.

Isso para quem tem algum emprego ou outro tipo de renda. E os que não possuem? Somente na capital, segundo o IBGE, seriam 194 mil nessa situação. O que leva a pensar que há muita gente encontrando formas de sobreviver sem a cesta básica ou criando uma cesta básica alternativa. Nesse caso, valeria a pena a Seplands fazer outra pesquisa para saber que jeito de sobrevivência é esse.

Em tempos de reinvenção de governo, dá para imaginar algumas saídas. Uma delas seria retomar o projeto de cooperativas de consumidores tentado na capital nos anos setenta ou oitenta. As associações de bairros periféricos de Rio Branco juntaram-se às associações de produtores tentando acabar com a rede de atravessadores que existia entre o produtor e o consumidor. O esquema poderia ser aplicado também para reduzir os preços de produtos industriais importados de outras regiões.

Se quiser ir mais longe, o governo poderá pesquisar dietas alimentares tendo por base nossos alimentos naturais. O que a gente sabe com segurança é que nas feiras de produtores tem muita comida se estragando por falta de mercado. Banana comprida, pupunha, cupuaçu e todo tipo de verduras e legumes são encontrados por preços que vão pouco além dos centavos. A nossa preciosa macaxeira, então, vive relegada pelos consumidores. O pão de milho, a farinha de tapioca e o pé-de-moleque também.

Sendo a meta do governo construir o desenvolvimento sustentável no Acre, não se pode retardar uma discussão sobre hábitos alimentares e valor nutritivo dos produtos disponíveis e baratos que poderiam constar de uma cesta alternativa. Para isso, não é preciso pensar em produção em alta escala. Pode ser produção em baixa escala, mesmo, só para abastecer o mercado interno.

E com um pouco mais de boa vontade dá para produzir também os xampus, cremes e sabonetes, os desinfetantes e os detergentes. Vai ver, já tem gente fazendo isso.

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