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Rio Branco - Acre, sábado, 5 de abril de 2003

Faculdade de Medicina: da utopia à realidade

Obras de infra-estrutura seguem em ritmo acelerado
e atendem todas as exigências do MEC

Flaviano Schneider

A Faculdade de Medicina do Acre segue em frente com seu cronograma de instalação. Apesar do tempo chuvoso que atrasa o serviço, estão sendo construídos, desde janeiro, um bloco administrativo pelo governo do Estado, um bloco com oito salas de aulas, ampliação da biblioteca e ampliação do laboratório de anatomia e microscopia com verbas de emendas do senador Tião Viana.

No dia 22 próximo, mais 40 alunos recém-aprovados no vestibular se juntarão aos 40 do ano passado para a aula inaugural do atual ano letivo: será um encontro entre os futuros médicos que, a partir de 2007, começam a formar-se no Acre e o qualificado corpo docente formado nos últimos anos graças a convênios com as universidades de Brasília e da Bahia.

De olho na evolução do curso, a coordenadora de pesquisa da Ufac, Suely Melo, acredita que a faculdade caminha no sentido de tornar-se “um dos melhores cursos de medicina do Brasil”. Segundo ela, até o final de 2005, o projeto de implantação do curso, com toda a infraestrutura necessária, terá sido concluído, ressaltando ainda que tudo é de primeira qualidade. Diz ainda que o projeto de implantação do curso custará aproximadamente R$ 4 milhões, considerando a infra-estrutura existente. Este recurso já está garantido.

O modelo de formação médica da faculdade prevê no primeiro ano um contato com o povo e seu sofrimento para que desperte no futuro profissional a plena consciência da missão em que está se engajando. Isto aliado ao fato ainda de as disciplinas não exigirem muitas práticas de laboratórios possibilitou a autorização do MEC com uma infra-estrutura mínima. Suely Melo conta que em 2001 Tião Viana assegurou por emenda R$ 200 mil para a compra de alguns equipamentos necessários ao início do curso e para a compra de material bibliográfico.

As obras em andamento, no entanto, já começam a atender os requisitos exigidos pelo MEC para o quarto semestre. Será necessária a ampliação no número de equipamentos e de laboratórios e a compra de outros equipamentos necessários a algumas disciplinas. “Tudo isso deverá ser viabilizado com os repasses das emendas anuais do senador Tião Viana”, explica a coordenadora.

Ufac foi uma das poucas a
conseguir liberação de emendas

O reitor da Ufac, Jonas Filho, também vê tudo de modo positivo: “Em seu segundo ano, estamos em franco desenvolvimento da faculdade de medicina. Estão sendo construídas, ampliação do laboratório de anatomia, novas salas de aula, a mudança de toda a parte administrativa de Ciências da Saúde que está lá num novo prédio. Estávamos sem cadáver para estudos anatômicos, um deles já está na universidade. De sorte que o curso está crescendo passo a passo e a gente tem consciência de que será um grande curso na Ufac juntamente com os outros cursos.

O reitor conta que a Ufac foi uma das poucas universidades a receber os recursos das emendas individuais de parlamentares de 2002: “A Ufac recebeu através de ação política do senador Tião Viana. O apoio que vimos recebendo dele tem sido fundamental para algumas das ações dentro da Ufac hoje”.

E finaliza: “No ano passado foi uma emenda de R$ 1milhão, destes já recebemos R$ 800 mil e tem R$ 200 mil represados (seriam para a compra de equipamentos de laboratórios, cadeiras para salas de aula, e mobílias para o bloco de Administração do curso). E ainda tem mais uma emenda de R$ 200 mil para este ano. Então esta é uma contribuição extremamente importante para a universidade”.

“O Senador Tião, na verdade, foi o idealizador e o executor da proposta de criação do curso. Tenho certeza de que se não fossem sua perseverança, boa vontade e determinação, este curso ainda não existiria. Já foram exibidas várias matérias sobre a criação do curso de medicina, entretanto não vi até o momento nenhuma que ressaltasse, e mostrasse de fato, quem é o principal responsável pela criação e implementação do curso”, disse.

Restos a pagar prejudicam Ufac
na capital e em Cruzeiro do Sul

Jonas Filho informa que está tendo problemas com a questão orçamentária. “A preocupação este ano está relacionada com os restos a pagar. Significa que os recursos que deveriam ter chegado até o fim do ano passado até o momento ainda não foram disponibilizados.

“Tínhamos uma previsão de orçamento para 2002 de R$ 3 milhões e destes R$ 671 mil ainda não foram repassados. Então isso compromete algumas ações da universidade. Estamos construindo algumas estruturas físicas, laboratórios e a gente precisa deste repasse imediatamente para que a gente possa dar continuidade a estas ações planejadas desde 2002", disse o reitor.

A rfetenção dos repasses afeta também o interior. Segundo Jonas Filho, “em Cruzeiro do Sul honramos o compromisso que tínhamos com aquela comunidade que era a criação da estrutura do campus. Longe do centro, nós temos problema com a falta de acesso, de telefone e energia e por isto não está em funcionamento. Estamos trabalhando para melhorar as condições para os cursos que lá existem”.

Ele conta que a universidade está fazendo gestões junto ao governo do estado e à prefeitura municipal para uma parceria na solução deste acesso. “O que depende para o funcionamento do campus, situada no Canela Fina, a 12 kms de Cruzeiro do Sul é o entendimento político, a questão do asfalto, por exemplo. Temos todas as condições para que a partir de abril ou maio já estejamos desenvolvendo nossas atividades naquele local. Funcionando, nós temos condições de ampliar se não novos cursos que ainda estão no debate mas, pelo menos, vagas. Nós vamos trabalhar com mais oxigenação naqueles cursos já instalados em CZS”.

A utopia tornou-se realidade

O senador Tião Viana, assim que retornou ao Acre, formado em medicina, em 1990, começou a falar na criação da nossa faculdade de medicina. Muitas pessoas consideraram a idéia uma “utopia”. Naquela época ele já sonhava com isto mais relacionado ao fato da dificuldade dos acreanos em terem que se deslocar para longe de suas famílias com as naturais dificuldades e custos dessa separação.

A partir daí, Tião Viana passou a conhecer as dificuldades de um médico acreano exercer em sua plenitude sua vocação. Assim, no dia a dia, nos atendimentos, foi se solidificando a certeza de que aquela “utopia” tinha que acontecer. Sua eleição ao senado, a partir de 1998, beneficiado também com a eleição de Jorge Viana ao governo do estado, que virou parceiro da empreitada, deflagrou o processo bem sucedido.

Logo no início de seu mandato Tião Viana trabalhou pela criação da especialização em residência médica concretizada pelo governo do estado através da Fundhacre - Promoveu junto ao governo do estado um convênio entre este a universidade de Brasília para proporcionar o mestrado aos médicos do estado.

Convênios com UFBA e UnB qualificam
o corpo docente da faculdade acreana

Informa o dr. Osvaldo, da Ufac, que o convênio envolvendo o Governo do Estado, a Ufac e a Ufba tem 12 mestrandos já na fase de defesa das dissertações. Destes, 2 já eram professores do Departamento de Ciências da Saúde Ufac e dos outros 10, 8 também já estão contratados como professores. Para ele, o convênio vem cumprindo sua finalidade.

Já o diretor do Pronto Socorro, Thor Dantas, informa que idêntico convênio desta vez com a Universidade de Brasília (UnB) já formou seis mestres enquanto estão se preparando três mestres para o doutorado, como se sabe um processo mais longo (quatro anos). Ele destaca que todos os três são acreanos. Outra vertente do convênio com a UNB é a cooperação em pesquisas sobre patologias de nossa região.

O planejamento para a concretização da faculdade ainda teve os custos de pré-investimento. A elaboração do projeto, a orientação para estruturação da grade curricular, as demandas de laboratórios e outros. Todo esse planejamento envolveu mais de 15 consultores de renome nacional com despesa de hora consultoria, passagem, hospedagem e alimentação e foi financiado com recursos do Governo do Estado, informa Suely Melo. Ela ressalta que grande parte do investimento na capacitação de docentes também foi feita pelo Governo do estado com a interveniência do senador Tião Viana.

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