
Petecão recebe carta com ameaça de morte
Deputado pede investigação da Polícia Federal e critica o desempenho da Polícia Civil no caso
Leonildo Rosas
O presidente da Assembléia Legislativa do Acre, deputado Sérgio Petecão (PMN), pediu providências à Polícia Federal (PF) para investigar a procedência de uma carta anônima, redigida com recortes de jornais, enviada ao gabinete dele com uma mensagem ameaçadora de morte. O assunto estava sendo mantido em segredo desde a quinta-feira passada, 27. O parlamentar resolveu trazer o caso a público depois de consultar os investigadores. A reportagem do Página 20 teve acesso previamente à correspondência, mas guardou sigilo a pedido do parlamentar.
Na carta, a ameaça se estende também aos familiares do deputado com os seguintes dizeres: “Cuidado! Sua filha está na mira de pessoas que querem seu mau (sic). Você não espere para ver”. Sérgio Petecão é pai de duas meninas: Samara, 2 anos, e Tais, 18 anos.
Antes de procurar a Polícia Federal, Petecão entrou em contato com o diretor-geral de Polícia Civil, delegado Walter Prado. Prado disse ao deputado que era de fácil solução e prometeu esclarece-lo em 48 horas. “Até agora ele não me fez um telefonema para falar sobre o andamento das investigações”, reclamou.
Na PF, a recepção foi diferente. O superintende Paulo Fernando Bezerra disse ao deputado que prever a solução de um caso complexo como esse é precipitação, pois os subsídios disponíveis para tirar conclusão são insuficientes. A PF, no entanto, entrou no caso e está investigando. “O superintende foi extremamente atencioso e prometeu empenho para chegar ao autor da denúncia”, disse.
TELEFONEMAS - Sérgio Petecão, que também será o presidente do Parlamento Amazônico – entidade que congrega 11 Assembléias Legislativas da Amazônia Legal – assinalou que recebia telefonemas ameaçadores desde que assumiu a presidência do Legislativo acreano pela primeira vez, em 1999.
Na época, junto com o primeiro-secretário, Ronald Polanco (PT), Sérgio Petecão tomou medidas duras para acabar com privilégios de grupos dentro do parlamento acreano. A redução de salários dos funcionários considerados marajás e eliminação de despesas supérfluas foram as de maior impacto.
As ameaças cessaram nos últimos anos, mas voltaram a se intensificar a partir de fevereiro deste ano, quando foi eleito para o terceiro mandato consecutivo como presidente do Poder Legislativo.
“Enquanto as ameaças eram dirigidas somente a mim, não tinha grande preocupação. Mas agora estão envolvendo meus familiares”, disse.
Anteontem, uma mulher não identificada, telefonou para a residência da esposa de Petecão, Risoleta Queiroz, perguntando à empregada do casal se o filho do deputado, Sérgio Júnior, estudava e em qual escola.
A empregada orientou que a mulher entrasse em contato com Risoleta por meio do telefone celular. Isso foi feito. Depois de atender ao telefonema suspeito, Risoleta retornou a ligação para o número que ficou gravado no seu aparelho. A chamada caiu no telefone público da praça Plácido de Castro, no centro de Rio Branco.
“Não suspeito de ninguém. Mas na próxima semana vou fazer um pronunciamento na Assembléia Legislativa pedindo apoio dos demais deputados neste momento difícil”, finalizou.