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Rio Branco - Acre, domingo, 6 de abril de 2003

Frutas produzidas nas colônias de Rio Branco ganham preferência no mercado

Qualidade dos produtos comercializados nas feiras livres agradam o consumidor e têm preços bem mais em conta

Samara Castro

Nos últimos dois meses a venda de frutas produzidas no Estado, como banana, abacaxi, laranja, entre outras, tem aumentado consideravelmente na capital acreana, pelo menos é o que afirma a feirante Josefa Alves Cavalcante.

Em conseqüência dos constantes aumentos do combustível nos primeiros 90 dias do ano, as frutas, em especial de supermercados, sofriam aumentos consideráveis. Josefa acredita que essas altas nos preços fizeram com que o consumidor rio-branquense procurasse a produção local, que, ao contrário das outras, normalmente só sofre alterações quando não está no tempo da safra.

“Como alguns produtos são vindos de outros Estados, os preços sobem bastante. Mas no meu caso, boa parte de minha mercadoria é produzida na nossa região. Quando acontece o aumento procuro não aumentar tanto ou muitas vezes não acrescento um centavo”, explica ela.

Josefa tem uma banca de frutas no mercado Elias Mansour e explica que, assim como ela, muitos feirantes optaram em comprar mercadoria apenas da região, pois o custo é muitas vezes 100% mais baixo, aquecendo o mercado e não correndo o risco de que as frutas se estraguem.

“Nosso preço é calculado de acordo com os custos que temos, até mesmo de transporte. Se eu fizesse pedido de frutas apenas de outros Estados, meu preço seria bem mais alto, mas já que eu tenho produção de laranja, tangerina, banana e cupuaçu em minha casa não tenho tanta despesa, mas já tem outras, como o maracujá, mamão e o jambo que tenho que comprar de conhecidos aí sim tem um custo mais elevado”, afirma.

Os preços das frutas, no centro da cidade, variam de lugar. Josefa diz que com a chegada da safra de laranja, tangerina e cupuaçu, o preço baixou e o lucro aumentou. A feirante costumava vender o cupuaçu a 1 real, hoje está vendendo a 0,50 centavos. O preço da banana comprida também baixou, segundo ela, o palmo que era vendido pelo preço de 1,50 real está custando 1 real.

Vendedora aconselha pesquisar preços

Apesar do mercado ser diversificado no tocante aos pontos de venda, Josefa acha que é necessário que o consumidor saiba pesquisar onde vai comprar. Ela diz que em alguns lugares o produto é da região mas o comerciante tira proveito dos constantes aumentos para aumentar o preço do produto.

“Tem que ter cuidado, só porque na minha banca a fruta é barata não significa que em outra não tenha produto ainda mais baixo”, explica.

Segundo ela, o consumidor também precisa tomar cuidado com a qualidade do produto que nem sempre está em boas condições.

“As vezes uma fruta está com uma ótima aparência mas quando você vai ver, está podre por dentro. Aí dá para ver que não compensa comprar uma mercadoria muito barata se você vai ter prejuízo.”

Trocando o supermercado pela feira

Essa baixa nos preços das frutas faz com que tanto comerciantes como o consumidor fiquem contentes. O comerciante por conseguir vender toda a sua mercadoria e o consumidor, por comprar produto de qualidade com preço reduzido.

“Há quase três anos eu compro frutas aqui e apesar de às vezes subir um pouco o valor de algumas frutas, sai mais em conta do que comprar em supermercados”, afirma o funcionário público Edilson Pereira da Silva.

Ele diz que há quatro anos deixou de comprar frutas e verduras em supermercados pelos constantes aumentos nos produtos e não tinha como reclamar já que as justificativas eram sempre de que os produtos eram de fora e tinham várias despesas a serem pagas.

“Comecei a pesquisar em vários pontos da cidade e notei que era possível comprar produtos da região com a mesma qualidade, muitas vezes até melhor, mas com o preço reduzido. Foi aí que comecei a consumir frutas e verduras regionais”, disse.

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