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Rio Branco - Acre, domingo, 6 de abril de 2003

Memorial do Craque

Cedida

Rio Branco, 1985. Em pé, da esquerda para a direita: Paulo Maravalha (diretor), Chicão, Ilzomar, Zenon, Delcir, Tonho e Othon. Agachados: Roberto Ferraz, Paulo Henrique, Manoelzinho, Jorge Luis e Robertinho

Volante de estilo clássico, Othon ganhou títulos em todos os clubes que defendeu

Na seleção de juniores do Acre, duas das maiores alegrias: quinto lugar no Brasileiro de 1985 e um gol contra o Rio de Janeiro

Francisco Dandão

A primeira vez que Othon Rodrigues Sales entrou no estádio José de Melo não foi para jogar uma partida de futebol. Ele tinha 12 anos e carregava as chuteiras do vizinho, o craque Richard, um dos primeiros acreanos a ser levado por um clube do sul do país (o Londrina). Dois anos depois, em 1981, por indicação do próprio Richard, Othon ingressou no infantil do Rio Branco.

Ao lado de outros meninos que ficaram famosos nos anos seguintes (casos de Ulisses Torres, Dodi e Bolinha), Othon ficou duas temporadas nos infantis do Estrelão, sob o comando do professor Illimani Suarez. Em 1983, chamado pelo técnico Mário Vieira, o projeto de craque subiu para a equipe de juniores. Em ambas as categorias, passagens coroadas por vários títulos.

No primeiro semestre de 1985, aos 17 anos (ele nasceu em 21.08.1967), Othon foi convocado pelo técnico Coca-Cola para a sua grande prova de fogo: substituir o volante titular Mário Sales, que se recusava a jogar por estar com o contrato vencido. Othon entrou na equipe para não mais sair, até receber um convite do Independência, em 1988.

A transferência para o Independência, intermediada pelo também jogador Emilson, segundo Othon, merece uma menção à parte: "Foi um convite irrecusável. O Tricolor me deu de luvas tanto material de construção que eu reformei completamente uma casa no conjunto Universitário e ainda vendi vários milheiros de tijolos. Ganhei um troco legal", explica.

Depois do Independência, embora ainda muito jovem, Othon, desmotivado, começou a pensar em abandonar os gramados. Mas ainda jogou duas temporadas: a de 1990, pelo Atlético Acreano, e a de 1993, pelo Rio Branco. Nos anos de 1991 e 1992, mesmo assediado por vários clubes, o craque preferiu ficar longe da bola e curtir as praias de Fortaleza.

Campeão do Norte com a seleção acreana de juniores

Durante dois anos, 1984 e 1985, Othon foi convocado para defender o Acre no Campeonato Brasileiro de Seleções Juniores, uma competição onde numa primeira fase os grupos eram formados por regiões.

No primeiro ano, fiasco total. O Acre foi desclassificado, integrando uma chave sediada em Porto Velho (RO). No segundo ano, entretanto, com a sede em Rio Branco, a seleção acreana foi campeã, vencendo Roraima por 4 a 0, Amazonas por 2 a 0, Rondônia por 3 a 2 e perdendo do Amapá por 1 a 0.

As finais foram jogadas na cidade de Serra Negra (SP) e Othon sobressaiu-se como um dos melhores da seleção acreana, inclusive marcando o gol de honra na derrota por 2 a 1 contra o Rio de Janeiro, equipe onde, entre outros, jogava o depois tetracampeão mundial Zinho (hoje no Palmeiras). O Acre ficou em 5º lugar, a sua melhor classificação em todos os tempos.

Os melhores com quem Othon jogou

Othon não quis dizer quais os maiores jogadores acreanos de todos os tempos. Disse que essa seria uma tarefa impossível de realizar sem cometer injustiças. Mas topou escalar um time com os melhores com quem ele jogou.

"Klowsbey; Marquinhos Amarelo, Chicão, Neórico e Ricardo; Othon, Jorge Jacaré, Paulo Henrique e Mariceudo; Roberto Ferraz e Paulinho. Essa seria uma equipe difícil de ser vencida na região Norte", afirma.

Fora esses, o ex-craque ainda fez questão de citar como jogadores excepcionais que ele viu em ação os nomes de Dadão, Mauro, Carlinhos, Zenon, Ilzomar, Sabino, Antônio Júlio e Valmir. "Tudo fera", arremata.

Quanto ao técnico, para Othon ninguém foi melhor do que Coca-Cola. "Ele, além de conhecer muito de futebol, sabia sacudir o grupo, passar confiança para os jogadores nos momentos difíceis", explica.

Volta do Juventus pode ser vital
para o futebol acreano

Aos 35 anos, formado em contabilidade, Othon ganha a vida como funcionário público estadual, prestando atualmente seus serviços ao Tribunal Regional Eleitoral. Em forma, bem que ainda poderia estar em campo. Mas entende que o seu tempo já passou. "Inclusive", explica, "porque eu não suportaria jogar no meio de tanta gente ruim que anda por aí".

O futuro do futebol acreano? "Do jeito que as coisas andam, com o nível técnico dos jogadores cada vez mais baixo, com a gente perdendo até de Rondônia, não sei onde iremos parar. Mas acredito que a volta do Juventus pode ser vital para dar uma sacudida nos outros clubes. O Juventus sempre teve o poder de fazer as coisas acontecerem", diz de forma conclusiva.

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