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Rio Branco - Acre, domingo, 6 de abril de 2003

Divulgação

Adalberto Queiroz com Rossana Ghessa,
prêmio de melhor atriz (Adágio ao Sol)

“Revolução Acreana”

Documentário de Adalberto Queiroz recebe
homenagens no 2º Festival de Cinema de Varginha

Rose Farias

Durante dez dias, de 20 a 29 de março, a cidade de Varginha (MG) respirou cultura com o 2º Festival de Cinema. Milhares de pessoas assistiram a várias exibições de vídeos, curtas e longas com a presença de consagrados profissionais. Representantes de todos os Estados do país participaram do grande evento, inclusive do Acre, que foi representado pelo documentário Revolução Acreana, produção independente do cineasta Adalberto Queiroz. Sua participação no evento contou com o apoio da Fundação Elias Mansour.

Para Queiroz, apesar de o filme não ter sido premiado, teve uma grande aceitação por parte dos fazedores da “sétima arte” presentes ao festival.

“Eles acharam o tema relevante e profundo e, acima de tudo, pelo conhecimento que tiveram da história do Acre e sua anexação ao Brasil. Uma história que fica muito aqui com a gente e o Brasil não conhece. Foi surpreendente para eles termos feito esse documentário contando essa história que marca a origem do Acre”, disse, satisfeito.

Acre no calendário nacional de cinema

Essa é a primeira vez que uma produção acreana participa de um festival nacional de cinema. Segundo Queiroz, o resultado foi positivo, pois foram articuladas propostas de incluir o Acre no circuito nacional.

“Só existem dois Estados brasileiros fora desse circuito: Acre e Alagoas. Então todo mundo ficou torcendo com a nossa presença no circuito. Para eles, já que tem uma produção nesse sentido, o Acre deveria ser incluído no calendário nacional”, diz.

Mas, para que isso aconteça, o cineasta adianta que é necessária uma injeção na produção local, que inclua o cinema na política cultural do Estado.

“A produção é incipiente. Precisamos realizar seminários, mostras, cursos e outros eventos. Mas acho que se o Acre não estiver incluído ninguém verá a produção nacional porque as salas de cinema que temos dificilmente exibem produções nacionais. Quando isso acontece é isolado, sem marketing de lançamento. Propaganda fica para Spilberg. Ninguém fica sabendo nada do cinema brasileiro. Precisamos incluir o Acre nesse circuito. O que se quer é que as produções brasileiras ganhem espaço”, enfatiza.

Cineastas propõem a realização
de uma mostra internacional

Uma dos pontos levantados no festival, segundo Adalberto, é de que se realize no Acre uma mostra não apenas nacional, mas internacional, com a participação de produções dos países vizinhos ao Acre.

“Cogitou-se essa possibilidade, principalmente por estarmos muito próximos do Peru e Bolívia e não conhecermos as produções desses países. E as produções brasileiras também precisam vir para o Acre mostrar o que se está feito. É a partir disso que as pessoas irão se manifestar. A juventude vai ter gosto pelo cinema brasileiro, inclusive quando forem realizadas oficinas, um dos nossos projetos”, comentou.

Toda a proposta discutida durante o festival, Adalberto diz que encaminhará à Fundação Elias Mansour - uma delas inclui a adaptação dos espaços culturais do Estado, como o Cine Teatro Recreio.

“Em Rio Branco o que não falta é espaço cultural, e precisamos ocupá-los. Dentro dessa proposta, figura a compra de projetores novos e modernos para ocupar o Teatrão. Lá em Varginha, o festival se realizou no Teatro Capitólio - o nosso comporta o dobro. Precisamos incrementar essa política cultural que aponta para o cinema brasileiro”, diz.

O primeiro passo que o cineasta irá começar a executar, segundo ele, não dependerá muito da aprovação de um projeto.

“Vou elaborar para o próximo mês um curso de cinema . Acho que esse já é um bom começo”, adianta.

Festival de Cinema de Varginha
termina com recorde de exibições

Durante os dez dias do festival foram 42 vídeos, 27 curtas e dez longas-metragens foram exibidos no Cine Theatro Capitólio e reexibidos no Cine Master. Milhares de pessoas presenciaram as exibições de vídeos, curtas e longas sobre assuntos como vida, morte, amor e adultério. O Festival contou com recursos das leis municipal e estadual de Incentivo à Cultura e com o patrocínio oficial da Philips Walita do Brasil. A programação também incluiu o Cine Itinerante com exibições de filmes em escolas da rede pública. Uma parceria com a Superintendência Regional de Ensino e a Secretaria Municipal da Educação resultou no acesso gratuito de turmas de estudantes adolescentes ao Festival. A iniciativa foi elogiada, inclusive, pelo ator Murilo Rosa.

Na noite de encerramento do Festival também subiu ao palco, outro ator global, Felipe Camargo que também veio a Varginha para prestigiar o evento e ministrar uma palestra sobre cinema. Além de Murilo Rosa, Felipe Camargo e Darlene Glória outros consagrados artistas também abrilhantaram o evento como Lucélia Santos e Suely Franco dentre outros.

Longas Metragens – ET de Prata do 2º Festival de Cinema de Varginha:

Ator coadjuvante: Babu Santana (Uma Onda No Ar)

Melhor atriz: Rossana Ghessa (Adágio ao Sol)

Melhor ator: Alexandre Moreno (Uma Onda No Ar)

Melhor roteiro: Ricardo Pinto e Silva e José Carvalho (Querido Estranho)

Melhor diretor: Xavier de Oliveira (Adágio ao Sol)

Melhor filme: Cama de Gato, de Alexandre Stockler.

Melhor Atriz Coadjuvante: Teuda Bara (Samba Canção)

Melhor Trilha Sonora: Dori Caymmi (Lara)

Melhor Montagem: Chico de Paula (Samba de Canção)

Melhor Edicão: Jorge Saldanha (Lara)

Melhor Cenografia: Clóvis Bueno (Lara)

Melhor Fotografia: Jacob Solitrenick (Sonhos Tropicais)

Filme vencedor do ET de Ouro do 2º Festival de Cinema de Varginha: Querido Estranho, de Ricardo Pinto e Silva.

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