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Rio Branco - Acre, terça-feira, 8 de abril de 2003
Gastando calorias

Francisco Dandão

As folhas de papel impresso (e não as mortas levadas pelo vento, viu?) me informaram na sexta-feira, dia 4, de que no domingo, dia 6 deste abril chuvoso (será que o verão não está querendo ir embora?), seria comemorado o Dia Mundial da Atividade Física, com uma vasta programação.

Assim que tomei conhecimento da programação, prometi a mim mesmo que eu estaria na comissão de frente dos candidatos a novos atletas. Nenhum dia melhor para abandonar uma vida sedentária do que no dedicado à atividade física, pensei. A hora seria essa de entrar na onda do culto ao corpo.

A primeira providência para cumprir a minha promessa de uma nova vida dedicada aos exercícios seria dormir cedo no sábado, véspera do dia D. Aí já sobreviria o primeiro grande sacrifício. Acostumado a entrar pela madrugada acordado, me enfiar nos lençóis antes da meia-noite ia ser cruel.

Mas, como não se pode empreender uma grande viagem sem dar um primeiro passo (sabedoria chinesa, podem anotar no caderninho de pensamentos, viu?), pronto, às oito e meia da noite eu já estava devidamente acomodado sob os lençóis, assistindo a uma desventura do Mel Gibson.

O filme se chamava "Sinais". O enredo? Uma trama pra lá de inverossímil, envolvendo um ex-padre que perdera a fé em Deus depois de ver a mulher morta num acidente automobilístico e uma invasão de extraterrestres com esporões nos calcanhares, que morriam de medo de água.

Tão ruim o filme (sei, alguém certamente vai achar legal, que gosto não se discute), que nem como sonífero serviu. Passei por ele e entrei pela madrugada com o olho seco, pregado na televisão, vendo todas as porcarias da Globo e dos canais vizinhos. Uma noite de cão (essa frase não é estranha...).

Lá pelas tantas, entretanto, me ocorreu uma revelação. Um filme com o Mel Gibson não poderia ser algo assim tão ruim. Os "sinais" do título só poderiam estar querendo dizer-me alguma coisa. E então, deduzi: eu não deveria, pelo menos não num domingo, começar a derramar o meu suor.

E foi assim que eu adiei a data de abandonar as minhas horas na frente da televisão e na cadeira de balanço lendo livros nos fins de semana. Mas vou continuar com as caminhadas entre o quarto e a cozinha, bem como movendo as pestanas. O que, convenhamos, já é um grande dispêndio de calorias.

fdandao@zipmail.com.br
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