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Rio Branco - Acre, terça-feira, 8 de abril de 2003
O piano e a extensao rural

Marcos Inácio Fernandes *

Como todos sabem, o piano é um instrumento de corda dos mais refinados e muito pesado. “Carregar o piano” não é fácil e, mais difícil ainda, é executá-lo bem.

Nós da Extensão Rural temos sido bons “carregadores de piano” levando o instrumento para onde nos mandam levar para que outros toquem e recebam os aplausos. Quando nós próprios tocamos piano, só o fazemos segundo a partitura já estabelecida e a execução, nem sempre, agrada o nosso “público ouvinte”. A comparação do nosso serviço com o piano, na perspectiva de simples transportadores do instrumento, é considerada pejorativa pelos companheiros da Extensão que, nessa ótica, não passariam de tarefeiros. Mesmo sabendo que na divisão social do trabalho, alguém tem que realizar o trabalho mais pesado e penoso de preparar o “palco” e o terreno, não nos recusamos a continuar fazendo isso, mas não queremos fazer só isso. Mais do que carregar o “piano” queremos transportá-lo com cuidado para que não desafine, fazermos arranjos musicais nas partituras selecionadas para o espetáculo e, por fim, tocarmos o piano em harmonia com o resto da orquestra.

É com essa compreensão, que a analogia da Extensão com o piano, ganha um significado mais edificante e mais correto. Ainda nessa linha de comparações do serviço de ATER com o piano, uma muito feliz foi feita pelo Carlos Bicalho, consultor da ASBRAER, no final do ano passado na SUFRAMA, quando por ocasião da entrega da proposta de Extensão Rural para a Região Norte. Naquela oportunidade, o Carlos Bicalho, um veterano extensionista, explicava a diferença entre a Extensão e a Assistência Técnica. Ele comparava o extensionista com o “professor de piano”, que necessariamente tem que conhecer o instrumento, saber tocá-lo, conhecer a música, lê e elaborar partituras e, fundamentalmente, ser um animador e estimulador constante do aluno para que ele se discipline, tome gosto pela música e pelo instrumento e ser torne um bom músico, um virtuose, melhor que o professor. Já a Assistência Técnica, o simples “técnico especialista” seria como o “afinador de piano” apenas acionado para resolver um problema técnico pontual e localizado como de afinar o piano, consertar o teclado quando isso se fizer necessário. Esta analogia, para mim, retrata com mais singeleza e mais afinação o nosso serviço de Extensão.

Hoje no Acre, queremos fazer a extensão, na linha de um “PROFESSOR DE PIANO”, embora sem desprezar, ou desmerecer quem o afina e quem o carrega. O maestro que vai reger a orquestra já deu o tema do CONCERTO que vamos executar. Será a sinfonia do DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL, com os movimentos da FLORESTANIA e GERAÇÃO DE EMPREGO E RENDA. Aqui na SEATER estamos tecendo, a muitas mãos, a partitura da EXTENSÃO AGROFLORESTAL, que está quase pronta. Estamos colocando no papel o TOM e o COMPASSO, a HARMONIA, a MELODIA e os ARRANJOS dessa nossa música. Está ficando bonita!!!

Agora é afinar o piano e os demais instrumentos musicais para a execução da peça. Terá que haver ainda muitos ensaios e muitos ajustes, pois nessa orquestra tem outros músicos além dos da Extensão e a sincronia dos movimentos de cada parte terão que ser harmônicos.

Continuaremos a “carregar o piano”, sem nenhum problema, mas agora também queremos tocá-lo conforme a partitura que estamos construindo.

NA execução dessa música, a exemplo do que acontece com o JAZZ, a BOSSA NOVA e o CHÔRO, cabe até o improviso, de instrumentistas de maior talento musical, desde que não abusem do virtuosismo. Que o espírito e o talento de Tom Jobim, Rodamés Gnatelli, Chiquinha Gonzaga, Artur Moreira Lima (só para falar dos pianistas) nos inspire e nos estimule para que o nosso serviço, como a música, faça bem ao corpo e ao espírito.

* Diretor Técnico da SEATER/AC.

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