
Jorge Viana descarta presença do MST no Acre durante solenidade na sede do Incra
Governador considera movimento legítimo, mas afirma que o diálogo não deixa espaço para invasores de terras
Flaviano Schneider
O governador Jorge Viana descartou ontem, durante a solenidade de transmissão de cargo na Superintendência do Incra, a possibilidade de o Movimento dos Sem-Terra (MST) vir a atuar no Estado com a invasão de terras. “Existe gente torcendo para que o Acre volte a ser o que era antes”, disse.
Segundo Jorge Viana, a política de diálogo institucional no Estado torna desnecessária a presença do MST. Ele disse que o Acre não vai ter movimento organizado de sem-terra porque não há motivo para isso.
“Aqui não há espaço para invasores de terras. Se não teve invasão de terras antes, não vai ter invasão de terras agora porque existe espaço para o diálogo com o governo”, afirmou.
O governador considera o MST um dos mais legítimos movimentos sociais do país, mas ponderou que a organização é necessária e legítima onde não há diálogo, onde o governo não conversa ou se limita a atender interesses particulares. “Esse não é o caso do Acre”, assinalou.
Transmissão - O governador elogiou a indicação de Raimundo Cardoso para comandar o Incra, vendo nele a garantia de um futuro melhor para o órgão, que a partir de agora vai poder comandar a reforma agrária no Estado sem politicagem.
O agrônomo Raimundo Cardoso disse que a reforma agrária vai ser feita no Acre com base na transparência e com a participação da sociedade civil organizada, especialmente os trabalhadores rurais.
Cardoso considera o maior desafio solucionar o problema da infra-estrutura dos assentamentos. Ele quer parcerias com o governo, municí-pios e trabalhadores para desenvolver um novo modelo de reforma agrária que respeite as particularidades naturais e culturais do Acre.
O superintendente do Incra criticou a propalada reforma agrária durante o governo FHC. Ele disse que a reforma agrária se desenvolveu de modo tímido durante o governo passado. “O projeto político conservador não fez o que a propaganda oficial mostrava. Não fizemos a maior reforma agrária do mundo, como disseram.”
O novo superintendente explicou que a evasão dos assentados, em alguns casos, ultrapassou os 50%. No Acre, das 23 mil famílias assentadas, 11.250 evadiram dos seus lotes. “Dados suficientes para jogar por terra esse engodo apregoado ao povo brasileiro através da mídia”, afirmou Cardoso.
O agrônomo prometeu fazer a reforma agrária com parcerias afinadas e projetos bem elaborados, com os trabalhadores apontando o rumo. “Vamos zelar pela qualidade. Não queremos metas irrealistas para cumprir.”
Ele disse que é necessário atender a demanda por terra no Estado, mas defende que essa tarefa seja realizada num contexto e com um modelo adequado de assentamento que garanta a viabilidade econômica e social, respeitando a tradição e a cultura dos assentados.