
A manchete da primeira edição do Página 20, há oito anos, tratava de uma reportagem do jornalista Altino Machado sobre o escândalo no qual o desembargador Jersey Pacheco se envolvera ao passar de devedor a credor em processo judicial.
Na edição de hoje, o jornalista Leonildo Rosas revela a etapa mais recente desse caso vergonhoso que maculou a reputação do Judiciário do Acre e que atormentará o recém-aposentado desembargador para o resto da vida.
É uma história suja essa na qual se envolveu o magistrado, forçando o Ministério Público Estadual a mover contra ele uma ação civil pública por danos ao patrimônio público. O caso, que tramita no Superior Tribunal de Justiça, mereceu parecer favorável da Procuradoria da República.
Uma seqüência de ilicitudes transmutadas de atos lícitos permitiu que a jurisdição fosse exercida equivocadamente, trazendo prejuízos ao patrimônio do Estado do Acre.
A irresponsabilidade compromete gravemente a imagem da magistratura do Acre, pois, conforme a subprocuradora da República Gilda Pereira de Carvalho, “verifica-se que o Poder Judiciário foi usado para legalizar negócios escusos”.
O Ministério Público Estadual precisa persistir para que prevaleça a justiça contra os protagonistas desse escândalo, engendrado quando o crime organizado tinha enclaves em nossas instituições públicas. É preciso que todos os implicados nessas maracutaias sejam punidos exemplarmente.