
O desenvolvimento social e econômico da Região Amazônica, esse gigantesco tesouro oculto de recursos vegetais, animais e minerais, deve afetar beneficamente todo o país. O modelo atual, com o Sudeste respondendo por mais de metade do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, o Sul tentando acompanhá-lo e o Nordeste e o Norte, ilustres desconhecidos, com o total demérito de importar praticamente todos os produtos da cesta básica dos ditos “grandes centros”, representa um ciclo vicioso difícil de administrar para qualquer governo.
A imensa fonte de recursos pode e deve patrocinar um amplo programa de desenvolvimento na Amazônia, onde os recursos sejam visivelmente bem aplicados e seus habitantes, ouvidos em torno de uma proposta democrática. Até porque políticas públicas feitas de cima para baixo, sem a necessária participação pública, costumam redundar em estrondosos fracassos - daí ser vital que uma discussão pormenorizada sobre as formas e meios para esse desenvolvimento seja definida entre as populações, especialmente a rural.
A visita do vice-presidente da República, José Alencar, ao Estado mostra um esforço do governo local de discutir e popularizar as políticas de desenvolvimento para a Amazônia acreana. Dos governos, diga-se. O Acre, como legítimo Estado amazônico a se organizar em torno de uma proposta local de crescimento organizado - o celebrado “plano de desenvolvimento sustentável”, pautado, por sua vez, nas convenções da ONU sobre o futuro ecológico do planeta -, chamou a atenção das autoridades locais, nacionais e internacionais.
No que vai dar tanta discussão, é algo que só o tempo dirá. Condições para realizar, existem. Planejamento, melhor ainda, não falta.