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Rio Branco - Acre, domingo, 13 de abril de 2003

Bolos que dão altos lucros. Afinal,
nenhum casal vive apenas de amor

Paraibanos investem na fabricação de bolos com entrega nas empresas e domicílios da capital para sobreviver

No primeiro bolo que a paraibana Bárbara Fernandes Costa, 18, fez ela esqueceu apenas um ingrediente: a farinha de trigo. Mas essa culinária “diferente” agora faz parte do passado. Cuidadosamente ela mistura em sua batedeira industrial, com capacidade para 12 quilos de massa, todos os materiais necessários para uma receita de sucesso: leite, manteiga, ovos, açúcar. Bárbara e o marido, Hélio Otávio Costa, 24, são os proprietários da Companhia do Bolo, uma iniciativa que vem rendendo bons lucros ao casal.

A idéia foi importada da Paraíba, terra natal do casal. Na cidade nordestina uma tia de Hélio resolveu fabricar bolos, oferecer em comércios e repartições públicas e entregar aos clientes onde eles preferissem: em casa ou no trabalho. Os pais de Hélio investiram no maquinário necessário e abriram uma filial da Companhia do Bolo em Rio Branco, no mês de março do ano passado. A intenção era oferecer a pequena empresa ao casal, que se casaria em breve e estava desempregado.

Assumindo as responsabilidades

Bárbara passou seis meses fazendo cursos de bolos simples, confeitados, tortas doces e salgadas. Em dezembro de 2002 ela já ajudava a sogra na confecção dos bolos. Hélio era um dos funcionários da empresa encarregado de entregar o produto aos clientes.

“No dia em que meus sogros viajaram de volta à Paraíba, eles me chamaram e disseram: ‘Está aqui, a empresa agora é de vocês. Levem as máquinas para casa e montem todas lá”’, lembra Bárbara, que assumiu as responsabilidades junto com o marido e agora trabalha para manter o prestígio que os bolos conquistaram junto aos clientes e proporcionar o crescimento do pequeno negócio.

Produção e entrega

Por dia são fabricados entre 45 e 50 bolos. Os sabores são os mais variados: ameixa, trigo, conhecido como “bolo-fofo”, segundo Bárbara, trigo mesclado com chocolate, chocolate puro, milho, formigueiro, e o carro-chefe do negócio: macaxeira.

Os bolos que serão entregues ao final da tarde e na manhã do dia seguinte são fabricados às 7 horas. Os espaço para a produção é pequeno, mas Bárbara procura trabalhar com a máxima higiene possível, usando toca, avental e tendo a preocupação de manter tudo limpo e arrumado.

“Eu quero fazer uma cozinha maior, bem equipada, com armários, mesas. Estamos aqui temporariamente e as coisas estão um pouco improvisadas. Vamos terminar nossa casa e construir um local de trabalho adequado às exigências da Vigilância Sanitária”, comenta Bárbara.

Propaganda “boca-a-boca”

Para ajudar na confecção dos bolos e na limpeza da cozinha Bárbara conta com a ajuda de um auxiliar. Na rua, a Companhia do Bolo funciona num veículo Gol branco, usado para vender e entregar os produtos encomendados. Hélio divide as tarefas com outro funcionário, o Domingos.

“A gente vende nas ruas também, mas a maioria dos bolos é feita sob encomenda. No início a gente achou meio difícil, pensou que não ia dar certo oferecer bolo em escolas, repartições públicas, comércios, mas a idéia foi dando certo e hoje a melhor forma de divulgação é a propaganda ‘boca-a-boca’. Muita gente liga por indicação dos amigos que comeram e aprovaram o sabor dos nossos produtos”, disse Bárbara.

Construindo a vida na capital acreana

As famílias do casal Costa são da Paraíba. Eles optaram por morar no Estado, onde Hélio tinha um terreno para a construção da residência e cursa a faculdade de economia na Universidade Federal do Acre. Bárbara chegou à capital acreana, concluiu o ensino médio e prestou vestibular para Letras Inglês na Ufac. Deve começar a estudar ainda este mês.

Bárbara conta que noivou aos 17 anos e decidiu vir morar no Acre. Seus amigos perguntavam se ela estava doida para deixar a Paraíba e se mudar para o Estado. Mas parece que não está arrependida pela troca e, para diminuir a saudade dos pais, procura ocupar todo o tempo disponível com visitas aos amigos e trabalho.

“Ninguém vive só de amor. Tem que haver o mínimo de estrutura, um trabalho, estudo. Nós estamos lutando. Vamos terminar nossa casa e ampliar nosso negócio”, comenta Bárbara.

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