
O amendoim forrageiro como pastagem técnica tem sido empregado com sucesso na Bolívia, Peru, Colômbia, Costa Rica, Austrália e Estados Unidos e em vários Estados brasileiros como Bahia, Mato Grosso e inclusive no Acre.
No Acre, a planta apresenta 22% de concentração de proteína, taxa quase três vezes maior que a encontrada em capins, e é capaz de produzir cerca de 20 toneladas de matéria seca por ano. Isto significa, que o consórcio de capins com amendoim pode aumentar a capacidade de suporte das pastagens para até três cabeças por hectare.
De acordo com Judson Valentim, pesquisador da Embrapa Acre, a indicação da forrageira para consórcio com capins vem atender a três questões chaves para a sustentabilidade da pecuária: 1) diversificação do pasto como medida de contenção do ataque de pragas e doenças; 2) alternativa para o problema da mortalidade do capim brizantão; e, 3) maior capacidade de suporte para os casos de intensificação da pecuária.
O consórcio de capins com o amendoim tem sido bem aceito por produtores, tanto que, diariamente a Embrapa recebe a visita de pessoas interessadas na aquisição de mudas. Estima-se que o Acre já tenha cerca de 500 pessoas produzindo mudas de amendoim, o que tem contribuído também para a geração de emprego e renda no campo.
No ramal da Enco, localizado no Projeto Pedro Peixoto, a cerca de 50 quilômetros de Rio Branco (AC), trabalhos desenvolvidos pela Embrapa, desde 1997, com pequenos produtores de leite, têm mostrado que o uso do amendoim forrageiro como banco de proteína quase dobrou a produção de leite das vacas de 2,5 litros para 4,6 litros por dia.
Há bem pouco tempo, a puerária era a única alternativa de consórcio com capins. Apesar da persistência no pasto, a leguminosa não resiste à intensificação da pecuária e tende a desaparecer.
A carência de nutrientes no solo e a baixa qualidade das pastagens tropicais se tornaram desafios para pesquisadores e produtores. São raros os casos de sucesso com emprego de leguminosas consorciadas com capins nas regiões tropicais, diferentemente do que ocorre na Europa e nos Estados Unidos. No entanto, na Amazônia, já se tem dois dois casos que merecem destaque: a puerária e o amendoim forrageiro.