
Exame grafotécnico comprova que a letra de “Márcio Manicoré” é a mesma encontrada no envelope com ameaças
J. Guimarães
Márcio Roberto Santos da Silva, o “Márcio Manicoré”, 26, residente na rua Alvorada, bairro Vitória, foi detido sob acusação de ser o autor das ameaças contra a família do presidente da Assembléia Legislativa do Acre, deputado Sérgio Petecão (PMN). Mas por não ter sido pego em flagrante o acusado foi liberado para responder inquérito em liberdade.
Na semana passada, o deputado Sérgio Petecão recebeu em seu gabinete, na Assembléia Legislativa, um envelope amarelo contendo um bilhete em letras de recortes de jornais dizendo que ele estava “mexendo” com gente perigosa e por isso tivesse cuidado, pois havia pessoas querendo fazer o mal a seus filhos.
Segundo o serviço de inteligência da Polícia Civil do Acre, as ameaças teriam sido feitas por Manicoré, mas ele nega as acusações alegando que não tinha motivos para ameaçar o deputado e sua família.
No entanto, o exame grafotécnico, segundo o diretor-geral de Polícia Civil, Walter Prado, aponta que a grafia no envelope destinando ao gabinete do presidente da Aleac é de Marcos.
Além do resultado do exame, duas testemunhas também o acusam de ser o autor das ameaças. As pessoas, cujo nome são mantidos em segredos por Walter Prado, teriam ouvido Manicoré confessar a dois colegas, no campo de futebol do bairro onde mora, ser o autor das ameaças à família do parlamentar acreano.
Márcio Roberto também teria confessado aos amigos que ele é o homem encapuzado que apareceu em uma rede de TV local, em dezembro do ano passado, alegando ser líder de uma gangue no bairro Vitória e exigindo que as pessoas colocassem 10 reais nas portas de casas na noite de Natal como forma de pagamento do 13º salário dos bandidos daquele bairro, caso contrário iriam sofrer represálias pelo resto do ano novo.
O rapaz, que jura inocência no caso das ameaças, admite ser o autor da entrevista, mas se defende alegando que tudo não passou de uma armação do dono do quarteirão onde mora, que teria descontado 20 reais de seu aluguel para ele ir à televisão e fazer as ameaças à comunidade no intuito de chamar a atenção das autoridades e da polícia para a violência que impera no bairro Vitória.
Márcio Roberto foi interrogado por mais de três horas pelo delegado Walter Prado, indiciado por apologia ao crime e ameaças, depois foi liberado para responder inquérito em liberdade, prometendo comparecer à delegacia sempre que sua presença for solicitada. Ele está proibido de se ausentar da cidade enquanto o inquérito estiver aberto e deverá se apresentar à polícia todas as semanas enquanto estiver sendo investigado.