
Manifestação de moradores
termina em quebra-quebra e prisões
Um ônibus é depredado depois de passar pela barreira dos manifestantes; quatro pessoas são detidas no Esperança II
J. Guimarães
Em protesto às péssimas condições de manutenção dos ônibus da empresa de transporte coletivo Aliança, que faz linha para o bairro Esperança II, os moradores fecharam a rua Cruzeiro do Sul com pedaços de madeira ontem de manhã, queimaram pneus e depredaram um ônibus que desrespeitou a manifestação. Quatro pessoas, entre elas duas idosas, foram detidas acusadas de baderna e tumulto em via pública.
Conforme já tinha sido anunciado, o protesto começou às 8h30 com um aglomerado de pessoas, que em poucos minutos lotaram a principal rua do bairro, por onde passa o ônibus, com pedaços de madeira, troncos de árvores e móveis velhos e atearam fogo em pneus, impedindo a passagem de carros e principalmente de ônibus.
O ônibus 98440, de placa LBB 5266, dirigido por Rosinaldo Araújo furou o bloqueou e foi depredado por mais de 300 manifestantes, que tomaram a frente do carro, pediram aos passageiros que descessem e quebraram o pára-brisa traseiro do carro com bandas de tijolos.
A polícia foi acionada e em menos de 5 minutos 20 homens do 1a batalhão da Polícia Militar e 10 do Comando de Operações Especais (COE), chegaram ao local a tempo de evitar a destruição total do ônibus, e garantir a integridade física do motorista, que era ameaçado de espancamento pelos moradores.
O ex-presidente da associação dos moradores do bairro Esperança II, Francisco Nepomuceno de Araújo, 33, e o comerciante Luenildo Fiesca Ferreira, 38, foram detidos e levados para a 3a Unidade de Segurança Pública, no bairro Estação Experimental, acusados de baderna e tumulto em via pública. Junto com eles foram detidas duas aposentadas, uma de 73 anos e outra de 78 acusadas de incentivarem a reação popular que culminou na depredação do ônibus.
As duas mulheres, que são líderes comunitárias, foram ouvidas na delegacia e depois liberadas. Já Francisco Nepomuceno e Luenildo Fiesca prestaram depoimentos e também foram colocados em liberdade, mas terão que comparecem ao juizado na próxima quarta-feira para serem responsabilizados pelo dano ao ônibus.
Os manifestantes alegam que os ônibus que fazem linha para o bairro Esperança II estão sucateados pelo tempo e já não oferecem condições de segurança para continuarem transportando pessoas. Em alguns dos coletivos as janelas já não fecham e chega a chover dentro por goteiras no teto, segundo os moradores. No escritório da empresa ninguém quis falar sobe o fato.
Morre vítima de atropelamento
Morreu ontem de manhã na casa de uma tia, no bairro Raimundo Melo, o estudante Evilásio da Silva e Silva, 16, vítima de uma hemorragia cerebral ocasionada por uma pancada na cabeça que recebera ao ser atropelado há cerca de 15 dias.
O estudante esteve internado no pronto-socorro do Hospital de Base e na Fundação Hospitalar do Acre, mas foi liberado na semana passada para concluir o tratamento em casa, uma vez que demonstrar progresso na recuperação.
Ontem seu quadro clínico se agravou e ele morreu quando era conduzido pela família de volta para o pronto-socorro do Hospital de Base, onde deu entrada já sem vida.
Casal espanca estudante
A estudante Adriana da Silva Dourado, 22, residente na travessa São José, bairro Ivete Vargas, foi espancada a socos e pontas pés por um casal desconhecido, terça-feira à noite, a ponto de ficar desmaiada na calçada.
Segundo a vítima, ela trafegava pela rua onde mora quando foi abordada pelo casal, que desceu de um carro e sem motivo já foi lhe agredindo a socos e pontapés.
Depois de ser surrada Adriana ficou desmaiada até ser socorrida pelo serviço de resgate do Corpo de Bombeiros e conduzida ao pronto-socorro do Hospital de Base, onde recebeu atendimento médico e disse não saber o porque da agressão que sofrera, uma vez que, segundo ela, nem conhece o casal.
Mulher finge precisar de socorro para assaltar gerente
O gerente administrativo e financeiro da Secretaria da Juventude, Giordano Luiz Camelo Araújo, 26, foi espancado e assaltado por dois homens, às 22h30 de terça-feira na rua Rio de Janeiro, bairro Abraão Alab ao parar o carro para prestar socorro a uma mulher com um bebê no braço que fingia precisar de ajuda.
Ao abrir a porta do veículo Giordano foi surpreendido por dois homens que sugiram do nada e o arrastaram para um local escuro, atrás do muro, e o espancaram a socos e pontapés para em seguida lhe tomarem a bolsa com documentos pessoais, uma certa quantia em dinheiro e várias chaves da sede da Secretaria da Juventude.
A mulher que fingia precisar de ajuda na lateral da rua era a líder da quadrilha e comandou, pessoalmente, a agressão contra a vítima. Já a criança que ela conduzia nos braços enquanto clamava por socorro não passava de um boneco de plástico enrolado em fraldas.
Apesar da agressividade dos bandidos a vítima não sofreu ferimentos graves, somente hematomas pelas costas e alguns arranhões nos braços e pernas. Ela mesmo procurou a 1a Unidade de Segurança Pública, no bairro Cadeia Velha para registrar queixa do assalto.
O caso foi enviado para ser apurado pela delegacia do Grupo Antiassalto da Polícia Civil (GAPC). Mas até as 15 horas de ontem os agentes daquela especializada ainda não tinham identificado a quadrilha.