© Copyright Página 20 todos os direitos reservados
Rio Branco - Acre, quinta-feira, 24 de abril de 2003

Ulisses Torres desabafa após
entregar o comando estrelado

Maus resultados devem-se em parte
às pressões de diretores e imprensa

Raimundo Fernandes

Sempre calmo, cuidadoso com o que fala, Ulisses Torres é um profissional dos mais qualificados e estudiosos. Detentor de vários cursos de aperfeiçoamento, tanto na parte física quanto tática, aos 36 anos ele é um dos mais promissores técnicos de futebol da Amazônia.

Ele, que foi campeão acreano com o Vasco da Gama (1999), equipe modesta em relação a outras que disputaram aquele competição, e teve passagens vitoriosas pelo Batatais, do interior de São Paulo, na segunda-feira deixou o comando do Rio Branco Futebol Clube, após três meses de muita batalha, e com a frustração de não poder realizar o trabalho que pretendia.

Ulisses atribui os maus resultados à pressão, tanto dos dirigentes do Estrelão como de parte da imprensa esportiva.

Sem querer muita conversa, ele está em sua residência refletindo sobre os motivos que o levaram aos resultados inexpressivos da equipe, que fracassou tanto na Copa do Brasil quanto no Torneio da Integração da Amazônia. O time criou, mas não fez o gols e acabou sendo eliminado das duas competições pelo time do CFA, de Rondônia, motivo que o levou a deixar o cargo.

O sonho de tornar-se um dos mais conceituados treinadores do futebol na equipe estrelada foi transformado em frustrações e muitos são os motivos. Entre os quais o de não ter um bom relacionamento com o vice de futebol do clube e o de ser por demais cobrado por parte da imprensa esportiva.

Mesmo sem estar para muita conversa, ele recebeu o Página 20 para falar dos seus problemas e manter um conversa franca onde contou tudo o que passou e como saiu sem conseguir realizar seu sonho de levar o Rio Branco a um lugar de destaque em nível nacional.

Comandar o Estrelão, de acordo com Ulisses, é percorrer um caminho apertado onde o treinador tem que produzir além do normal para se manter no cargo, dada a pressão que sofre quando os resultados não são satisfatórios e, pior ainda, imediatos.

Em sua residência, no bairro do Bosque, o jovem treinador Ulisses Torres isolou-se para descansar e conversar com amigos, quer sejam da imprensa ou não, para tentar encontrar uma resposta para os problemas que lhe torturaram durante o tempo em que esteve à frente do Estrelão. Apesar de não pretender dar entrevistas, abriu uma exceção e nos recebeu. Confira, a seguir, os principais trechos do diálogo.

Antes de assumir o cargo o senhor foi avisado de como seria difícil se manter até o final da temporada?

Fomos avisados, sim. Mas achávamos que dava para fazer um trabalho de base, onde o clube pudesse ser beneficiado e depois os resultados viriam. Mas, infelizmente, isso ficou apenas no desejo, pelo fato de tanta pressão, até mesmo da imprensa.

O senhor entregou o cargo ou foi forçado a deixar o comando do time?

Eu tinha pedido para ficar para a disputa da Copa Norte, achando que tivemos muita falta de sorte durante a disputa da Copa do Brasil. Combinei isso com o Natal e depois que não conseguimos também nos sair bem na Copa Norte, o normal e correto seria entregar. E foi siso que fiz.

É difícil trabalhar no Rio Branco?

É complicado, como qualquer outro clube que não consegue os bons resultados. Mas no Rio Branco, não sei porquê, as pressões são muitas, até mesmo por parte da imprensa, que às vezes nem avalia o poder que tem e vai batendo até com numa certa irresponsabilidade. Mas isso deixa pra lá, um dia irei voltar.

O senhor diz que a imprensa prejudica os técnicos do Rio Branco?

Não sei bem o que acontece, mas o certo é que muitos deveriam ter cuidado com o que falam ou escrevem, pois eles têm uma arma forte nas mãoa. E nós muitas das vezes sequer somos consultados. São poucos os repórteres que buscam a notícia na fonte. Outros apenas imaginam, vai pro ar o que eles querem colocar e fica por isso mesmo.

O seu relacionamento com o Natalino Xavier não era dos melhores, isso não atrapalhou?

Acho que o Natal está muito sozinho. Num clube como o Rio Branco, se não tem gerente de futebol tem que contratar, pois existe muito amadorismo, o que acaba por atrapalhar o time, dentro e fora de campo. Ou muda a forma de trabalhar ou time vai continuar na peia, porque uma pessoa sozinha não pode fazer tudo. No mais, acho que nos entendemos até quando deu.

O senhor teve alguma decepção, além dos maus resultados?

Claro que sim. Pensei num Rio Branco dos tempos do ex-presidente Sebastião Alencar, onde ele fazia tudo para formar um grande time. No entanto, os problemas do Rio Branco hoje são grandes, a situação não é mesma e isso nos atrapalhou um pouco. O resultado foi desastroso em termos de classificação. Mas em campo o time não jogou muito ruim. Pelo menos eu e entendo assim.

O que o senhor vai fazer ou pensa em fazer neste momento?

Olha, vou fazer novamente um curso na Seleção Brasileira. Com isso, vamos buscar mais conhecimentos para um dia podermos aplicar para os nossos jogadores. Quero dizer que a vida de treinador é dura e para se manter no emprego temos que construir resultados. Às vezes nosso time joga bem, mas a bola não entra. Fazer o quê? Não sou o primeiro e nem serei o último a ter sonhos e desilusões num curto espaço de tempo.

São Francisco

Primeiro batizado de capoeira acontece no Centro da Juventude

Sob a coordenação dos professores Arrepiado, Matraca e Pé-de-Boi, e com apoio da Secretaria de Esportes, acontece hoje, às 16 horas, no Centro da Juventude do bairro São Francisco, o primeiro batizado de capoeira daquela localidade. Serão 60 novos alunos, dos quais 30 têm um trabalho todo especial.

Segundo o sub-secretário de esporte Inácio Gomes, 30 desses alunos têm um tratamento todo especial, pelo fato de serem menores infratores que, ao invés de ficarem presos ou sofrer outro tipo de agressões, pagam suas penas praticando esporte no Centro da Juventude. Alguns deles seguiram com muita determinação a modalidade da capoeira.

“Temos que dar uma atenção toda especial a estes garotos e, com isso, quem sabe, descobrir novos valores. O Governo do Estado quer aumentar o incentivo à formação de novos valores e ao invés de punir crianças com penas que não lhe rendem nada, praticando esportes vão aprender alguma coisa de positivo. Todos estão convidados para este grande acontecimento”, comentou Inácio.

Amazônia
Colunas
Cotidiano
Expediente
Entrevista
Editorial
Estilo
Especial
Esporte
Política
Principal